sábado, 11 de abril de 2015

11/04/2015 - Sobre Trilhos de Corupá a Joinville

Mais uma vez fui convidado para participar dos desafios do Maneca. O objetivo era sair de Corupá e chegar em Joinville caminhando sobre os trilhos de trem. Dessa vez teria mais um participante, além de eu, Maneca e Cassiba o Deni também queria experimentar o doce sabor de caminhar sobre os trilhos por 57 km. Porém a logística estava um pouco atrapalhada visto que não tinha como a gente ir até Corupá sem depender de uma quinta pessoa para ajudar no transporte. Então o Cabelo se propôs em ir buscar o carro de bike em Corupá. Em últimos casos eu e o Maneca já tinhamos combinado de ir lá de bike fazer isso depois da nossa caminhada. Chegou o grande dia, acordei ás 2:30 hs e ás 4:00 hs estávamos todos no Maneca e partimos para Corupá.





Chegamos em Corupá por volta das 5:00 hs, o céu estava estrelado e a temperatura era de 19° C, sinal que o dia seria bem quente. Abandonamos o Sapo Preto (carro do Maneca) em uma rua qualquer e o Cabelo teria que achá-lo mais tarde. Seguimos para a Estação Ferroviária de Corupá.

Fique com Deus Sapo Preto.


A nossa bagunça acabou acordando o funcionário da ALL que veio ver o que estava acontecendo. Conversamos um pouco e perguntamos se ele sabia que horas o trem passaria. Ele nos informou que o trem já estava subindo e naquele momento estava passando por Jaraguá do Sul.




Muitas fotos depois demos o primeiro passo para a nossa longa jornada. Eu contava que passaríamos entre 10 e 12 horas sobre os trilhos dependendo das paradas e da nossa condição física.


Cadê o Marco?


Penetramos na escuridão. O Maneca e o Cassiba já se largaram na frente e eu ia logo atrás, quando olhei para ver como estava o Deni eu não via mais ele. Fiquei esperando e logo apareceu ele sem lanterna. Então acompanhei ele, pois andar sobre os trilhos requer muita atenção e sem luz o risco de errar a pisada ou de pisar eu um animal peçonhento é muito maior.




Saindo de Corupá ouvimos a composição vindo em nossa direção. Aguardamos em um trecho mais amplo perto de uma estradinha e ficamos esperando ela passar enquanto aproveitamos para tirar mais fotos.






No mesmo momento o sol já dava pequenos sinais que queria sair do seu esconderijo e presenciamos uma linda paisagem.



Parecia que os vagões se multiplicavam e demorou para retomar a caminhada.




O dia clareou, agora era a serração que tomou conta do cenário.







Enquanto a gente passava pelos trilhos a cachorrada da vizinhança fazia barulho. Já em Jaraguá do Sul, no bairro Nereu Ramos o Maneca e o Cassiba nos esperaram para continuar essa trip todos juntos.





Quando possível a gente escapava um pouco dos dormentes dos trilhos para dar uma folga pros joelhos.



Nesse momento a alegria e diversão ainda permaneciam fortes.






Lembra dos bichinhos peçonhentos que comentei? Pois é o primeiro eu não tinha certeza se era ou não, mas resolvi deixar o bichinho quieto no seu canto.


O segundo apesar de muito manso não quis muita conversa.


Nossa primeira parada para lanche estava programada para ser próximo das dependências da WEG. Então põe o pé no trilho (ou na calçada) e anda.



Morro Boa Vista



Chegamos no centro de Jaraguá do Sul.



E um pouco mais a frente estava a Estação Ferroviária de Jaraguá do Sul.




A fome já estava batendo e seguimos nossa caminhada por essa calçada e ciclovia que acompanha os trilhos.



Ponte sobre o Rio Itapocu.





Nossa caminhada seguia a passos largos.




E logo já estávamos passando pelas dependências da WEG.


Pra quem olha daqui o letreiro fica assim:


Um dos momentos mais esperados do dia, hora do lanche. E o cardápio estava bem variado: pizza, x-salada, batata, ovo, sanduíche e chocolate.


De barriga cheia seguimos para Guaramirim sob o sol que castigava. Chegamos na ponte sobre o Rio Itapocuzinho.










Chegamos em Guaramirim. Passamos por uma rua onde estava rolando um stammtisch, mas preferimos parar em um caldo de cana a beira dos trilhos.




Enquanto a gente se hidratava ouvimos a buzina da locomotiva e novamente tivemos o prazer de presenciar a composição passando, agora na luz do dia.






Caminhamos mais um pouco e chegamos na Estação Ferroviária de Guaramirim, onde reencontramos um senhor taxista que está se acostumando com a nossa presença nos trilhos. Aqui a parada demorou mais um pouquinho, nossas energias não eram mais as mesmas e as pernas e pés já sentiam a dura caminhada.




Esse trecho próximo ao perímetro urbano é bem desmatado, então o sol aproveitava para fritar nossas cabeças. Antes de chegar na rodovia do arroz fui presenteado pelo Maneca com essa belíssima foto:

Ao fundo o Morro Boa Vista composto pelo Morro das Antenas,
Morro do Meio e Pico Jaraguá. Foto: Manoel Acácio Behnke Júnior


Informação deixada pelo pessoal da manutenção dos trilhos.

Nanico tá cansadinho?



Fizemos mais uma parada no último mercadinho até chegar no perímetro urbano de Joinville. Aqui rolou um energético e uns torrão de amendoim para dar energia nesses "quilômetros finais", uns 20 km ainda pela frente.


Apesar de ter que caminhar sobre os trilhos novamente, a esperança era que a gente teria mais sombra.






Mas isso demorou para acontecer. O Maneca e o Deni estavam fazendo disputinha de quem tinha perna sobrando e nisso eles se mandaram na frente. Ao contrário deles, eu e o Cassiba diminuímos o ritmo, eu já sentia dores nas pernas e algumas bolhas nos pés.




Fizemos mais uma parada bem rápida, nosso receio era se a gente aguentaria continuar caso ficasse muito tempo parado.


Ao chegar no Rio Piraí a esperança se renovou, pois logo á frente já começam a aparecer as primeiras casas do perímetro de Joinville.


Nesse momento tive que fazer uma parada de emergência pois uma bolha no dedo do pé estourou e a pele ficava sovando entre os dedos e na hora tive que fazer uma pequena "cirurgia" para amenizar o problema. Depois passei um creme para aliviar a dor, calcei a bota e conseguimos seguir viagem.



Já no bairro Nova Brasília o Cassiba cogitou em pegarmos um táxi pois ele não aguentava mais e segundo ele a gente já tinha cumprido o objetivo. Mas eu não estava feliz com essa ideia dele e mesmo com muitas dores eu queria chegar na Estação Ferroviária de Joinville.


Quase no viaduto com a BR-101 ele viu um táxi e insistiu para a gente embarcar e até se propôs a pagar a corrida. Mas eu falei que queria ir até a estação. Então ele ignorou a dor e me acompanhou por mais alguns quilômetros até a estação onde o Maneca e o Deni já nos aguardavam.


Era fim de tarde quando avistamos as torres da Estação Ferroviária de Joinville.



Cheguei até um pouco emocionado, pois foi um desafio bem duro. Encontramos o Maneca e o Deni que já tinham ido até o apartamento do Cabelo procurar o Sapo Preto mas sem sucesso.


Desafio concluído: 57 km em 12:26:31 hs.


Então resolvemos pegar um táxi para ir até a casa do Maneca, a gente não aguentava andar mais.


Ficamos esperando por alguns minutos e ligamos para a Cynthia, irmã do Maneca, chamar um táxi pra gente. Em poucos minutos a gente já estava seguindo para casa.


Tentamos entrar em contato com o Cabelo mas o mesmo não respondia. O Maneca já estava ficando preocupado pois o último contato do Cabelo foi uma mensagem dizendo: "Cadê o Sapo Preto?". Fomos cada um para suas casas tomar um banho e avaliar os "troféus" da nossa caminhada.


Mais tarde o Maneca entra em contato dizendo de achou o carro dele. O Cabelo havia deixado estacionado perto do seu apartamento e o nanico não viu. Essa foi mais uma das aventuras do Maneca. Espero não fazer outra dessas tão cedo. Pedalar é melhor. Mas quer saber? Já esqueci de todo o sofrimento que passei, agora só me recordo dos momentos bons. E se me convidarem para fazer outra na próxima semana eu tô dentro rssss. Abraços.

Confira minha caminhada no Strava:


6 comentários:

  1. Ahh q desafio heim, ainda vou participar de um desses, mas como vc mesmo diz, pedalar ainda é melhor, preciso fazer um trajeto mais curto pra me habilitar, depois veremos no que dá.
    Parabéns pela coragem e empenho, esforço que valeu a pena.

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    1. Isso mesmo, vamos fazer algumas caminhadas mais curtas e quem sabe você já esteja mais seguro para fazermos de São Bento do Sul até Corupá. Aquela região deve ser muito bonita. Obrigado por nos ajudar no transporte.

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  2. Realmente não foi fácil. Não esperava que fosse ser tão puxado assim essa aventura. Ainda bem que sempre encontramos uns loucos prá fazer uma dessas! Kkkk fica tranquilo que ainda tem mais umas 3 dessas pra esse ano! Grande abraço!

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    1. Mais três? Esse ano? É acho que tu tem um parafuso a menos mesmo! Mas não vou deixar você ir sozinho, pois sempre temos que ajudar os amigos. Essa trip foi diferente, sofrida e com final dramático. Mas a satisfação em cumprir o desafio supera tudo isso. Obrigado e abraço.

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  3. Meu joelho tá doendo só de pensar...

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    1. Que nada Sidoca, você também encararia uma dessas. Vamos fazer o retorno de São Bento do Sul até Corupá e não pode cortar caminho no "rabo do macaco" rssss. Abraço.

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