domingo, 30 de junho de 2019

30/06/2019 - 2ª Etapa Copa Soul de Mountain Bike

Depois de uma noite bem dormida e um bom café da manhã, fomos fazer nossos aquecimentos sobre as bikes. Rodamos alguns quilômetros e meia hora antes da largada, seguimos para os portões fazer o alinhamento. Para a nossa surpresa, o espaço já estava tomado de ciclistas que não fazem o aquecimento e uma hora antes da largada já estavam alinhados para "garantir um lugar melhor". A largada foi dada e os primeiros quilômetros foram neutralizados, o que não impediu que os mais afobados colocassem os outros atletas em risco: forçando a ultrapassagem, pedalando na contramão e até pegando alguns atalhos. Como se esse momento da prova fosse decisivo para tal atitudes. Eu fiquei na minha, prestando bastante atenção para não me envolver em acidentes. A largada foi dada em movimento e o pelotão levantou poeira. O pessoal estava forte, puxando a 46 km/h nesse início de prova. Não aguentei o ritmo e fiquei no segundo pelotão.


Aos poucos fui me recuperando e consegui impor o meu ritmo. Chegaram as subidas e é onde me sinto melhor e consigo conquistar algumas posições. Me empolguei e em uma descida não consegui controlar a bike que deslizou sobre o areão e fui para o barranco. Caí, levantei rápido, coloquei a mão nos bolsos para ver se não tinha perdido nada. Subi na bike e continuei a prova com um pouco de sangue no cotovelo. Percebi que as trocas de marchas não estavam boas e a corrente ficava caindo. Olhei para baixo e percebi o câmbio torto. Na verdade, com a queda, a gancheira entortou e fiquei sem a marcha mais pesada e sem a marcha mais leve, pois o câmbio ficava batendo nos raios da roda. Numa subida em trilha, um galho entrou na roda traseira e tive que parar para tirá-lo. Foi quando percebi que a roda estava solta. Coloquei ela no lugar certo e apertei bem a blocagem. O problema da corrente caindo eu consegui resolver, mas as trocas de marchas ainda eram um problema. A prova estava muito boa, muitas trilhas, todas pedaláveis, bastando ter técnica. Descidas em meio á mata e depois em plantações de eucaliptos.


As descidas ainda são um problema para mim. Não consigo me sentir confortável, deixar a bike fluir. Tenho a sensação de que vou perder o controle e geralmente é o que acontece se eu não cuidar bastante.


Após muitas descidas veio o trecho plano e ás vezes faltava marcha para colocar um ritmo mais forte. Eu ficava olhando para trás, mas só um competidor me ultrapassou nesse trecho e era de outra categoria. O último desafio do dia era passar um pasto nos caminhos de vacas em meio à uma fazenda. Como eu estava sozinho, consegui desviar dos montes deixados pelas vaquinhas. Mas o Ernandes me contou que com ele não foi bem assim. A categoria dele estava muito disputada e nesse trecho era quem mais podia e voou merda para todo lado. kkkkk. Terminei a prova exausto, foi muito punk. Muitas subidas e muito calor. Muito esforço psicológico e físico depois de alguns problemas mecânicos. Me hidratei bem e fui para a pousada tomar um banho e trocar de roupa. O Ernandes já estava lá e me falou que ficou em 11º na categoria dele. Voltamos para a concentração e fui ver a minha colocação. Apesar de todos os imprevistos consegui conquistar a 5ª colocação na minha categoria no circuito pró. Muito feliz com o resultado.



Agora é treinar para a terceira etapa em Ituporanga - SC dia 15/09. Muito obrigado ao meu parceiro Ernandes, à minha família, amigos e patrocinadores e à todos que acompanham o blog. Abraços e até a próxima.

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sábado, 29 de junho de 2019

29/06/2019 - Gravatal - SC

Hoje foi dia de pegar a estrada e viajar 330 km até Gravatal - SC para a segunda etapa da Copa Soul de MTB. Eu e meu parceiro Ernandes colocamos as bikes no teto do Morcegão e saímos rumo ao sul do estado pela BR-101.


Foi uma viagem tranquila e o dia estava quente. Passando das 13:00 hs chegamos em Termas do Gravatal para dar uma olhada na estrutura do evento e local de largada e chegada. Depois fomos procurar um lugar para almoçar. De barriga cheia fomos procurar nossa pousada, que para a minha sorte, ficava há 700 metros do local de largada.


Descansamos um pouco e resolvemos sair para pegar nossos kits e conhecer a região. Começamos a subir uns morros que não terminavam nunca, além disso enfrentamos um calor de 27ºC e céu azul.





Depois de subir, subir e subir, chegamos em um cruzamento onde um lado apontava para uma gruta e o outro para um mirante. Fomos primeiro para a gruta e encontramos um lugar muito bonito e bem cuidado.






Gruta Nossa Senhora da Saúde
Na gruta, agradecemos e fizemos pedidos. Deixamos o local e fomos conhecer o mirante. Enfrentamos mais um pouco de subidas. Chegamos lá e encontramos uma linda vista e um relógio de sol.




A região ainda tem muito verde, tomara que permaneça assim por um bom tempo. Agora é hora das descidas. Eita estradinhas perigosas de chão bem batido com aquele areão solto por cima, e para completar, algumas erosões desenhadas pela chuva.




Chegamos novamente na pousada com pouco mais de 16 km rodados e quase 500 m de altimetria acumulada. Amanhã a prova promete.

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domingo, 2 de junho de 2019

02/06/2019 - Rachão Eixo Sul

Toda quarta-feira às 19:30hs, acontece um treino de ciclismo no eixo de acesso sul de Joinville. O treino batizado de "Corrida Maluca" simula uma verdadeira prova de ciclismo e muitos atletas da cidade (amadores e profissionais) participam dessa confraternização semanal. Acontece que nesses treinos, temos que rodar no acostamento e respeitar as preferências e outros sinais de trânsito. Visando incentivar mais atletas da cidade, a Federação Catarinense de Ciclismo (FCC), lançou uma prova extra denominada "Rachão do Eixo Sul", em alusão a outras provas que estão ficando famosas no país (rachão é uma prova de bicicleta sem o aval da federação local). Para dar oportunidade para todos, as categorias foram divididas nos naipes speed (SPD) e mountain bike (MTB).

Me inscrevi para a categoria MTB Master B com outros 10 atletas. Somando todas as subcategorias do MTB haviam aproximadamente 30 atletas. Na semana que antecedia a prova choveu muito e a esperança era que no domingo, dia da prova, a chuva desse uma trégua. Mas não foi o que aconteceu. O domingo amanheceu chuvoso e com pancadas fortes. Nos grupos de ciclismo o pessoal já ia mandando mensagens de desistência da prova. Depois de conversar com alguns amigos, resolvi ir de carro até o local da prova e ver o que era possível fazer. A organização já estava toda montada e a chuva deu uma paradinha. Paguei minha inscrição e resolvi participar da prova na chuva mesmo. O Ernandes também apareceu e outros conhecidos dos grupos de ciclismo.





Depois do aquecimento, embaixo de muita chuva, alinhamos atrás do pelotão das SPDs e largamos dois minutos depois para oito voltas em um circuito de seis quilômetros.



Não haviam muitos atletas. Acho que ao todo tinham doze MTBs. Larguei na frente num ritmo bem tranquilo aguardando alguma movimentação do pelotão.



Fiquei a primeira volta puxando o pelotão e depois o Ernandes veio fazer o trabalho. Notei que estávamos sendo marcados e que qualquer movimentação nossa, o pelotão respondia, mas sempre ficando na nossa roda.


Depois da quarta volta, tentamos dar uns tiros e sair em algumas fugas. Mas não estávamos no "dia bom". As pernas pareciam cansadas e a gente não conseguia desenvolver o ritmo desejado.


O jeito foi levar todo mundo para o sprint. Na última volta fiz uma tentativa de fuga numa subida, mas não consegui manter o ritmo e o pessoal veio todo atrás.


No final da descida, ao fazer o retorno, um atleta caiu e quase levou o Ernandes junto. Sprintamos para a chegada. Cansados de puxar o pelotão a prova toda, não conseguimos fazer força o suficiente para chegar na frente e perdemos algumas posições. Devo ter chegado em quarto ou quinto lugar no geral, mas a premiação seria por subcategoria.


Após alguns minutos aguardando foi anunciada a classificação da categoria MTB. Na categoria open foram premiados os três atletas. Na categoria Master A foram premiados 5 atletas e eu fui o único participante da categoria Master B, ficando assim com o primeiro lugar, ou único lugar rsss. Eu não sabia que estava correndo sozinho. Estava desconfiado que alguns ali eram da minha categoria, mas os conhecidos, não vieram.




E foi assim, saí num domingo de manhã na chuva, para competir e me divertir numa prova de ciclismo na minha cidade. Alguns desmerecem o fato de eu ter ficado em primeiro na categoria, já que eu era o único competidor. Mas a oportunidade estava aberta à todos e eu fui lá e fiz o meu melhor, nas minhas condições. Quem não foi, perdeu!

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domingo, 5 de maio de 2019

05/05/2019 - 7º Desafio dos rochas

Depois de uma estréia sofrida no Desafio dos Rochas no ano passado, esse ano resolvi me preparar bem para chegar detonando nessa prova e quem sabe ficar entre os top 10 na categoria. Alimentação, treinos e equipamento estavam todos em dia. Me inscrevi para o circuito pró individual. Seriam 100km com mais de 3000m de altimetria acumulada. Ao todo, 1350 atletas estavam inscritos na prova de mountain bike nas mais diversas categorias.


No início da tarde de sábado, eu, Ernandes, Fernando e Flavio, saímos de Joinville com destino à Pomerode. Assim que chegamos fomos nos instalar no hostel que eu havia reservado, bem diferente daquele que ficamos na Praia do Rosa. O Ernandes até me elogiou kkkk. O melhor de tudo é que ficava há uma quadra de distância do Pavilhão de Eventos, onde foi feita toda a concentração, largada e chegada da prova.


Fomos pegar nossos kits e visitar os estandes dos patrocinadores. Fizemos compras, encontramos os amigos e até tomamos um chopp. Ficamos ali na mesa do restaurante conversando e aguardando o jantar de massas.


O evento no geral é show. Tem bastante atividades para os adultos e crianças. Torneios de serrar madeira, quem bebe mais chopp, desfile e danças folclóricas. Durante o jantar de massas teve até bandinha, lembrando as tradicionais festas alemãs de outubro.


Para nós o principal é a prova de mountain bike. Assim que o jantar foi servido, nos preparamos para ficar no início da fila, comer bem sossegado e voltar para o hotel para descansar, pois amanhã o dia será puxado. Com o ar condicionado funcionando e fazendo um barulhinho que simulava chuva, dormimos muito bem. Mas depois nos falaram que choveu mesmo nos morros da região.

No dia seguinte acordamos às 6:00hs para o café da manhã do hostel. Preparamos as bikes e tudo o que precisaríamos durante a prova. A largada seria em blocos de acordo com a categoria e às 8:00hs da manhã foi dada a primeira largada.

Ás 8:06hs a minha categoria largou. Pessoal pegou forte nesse começo de prova neutralizada que passava por avenidas dentro da cidade. Logo começamos a subir e assim que o asfalto acabou a brincadeira começou de verdade e subimos o primeiro morro da prova. Entramos em uma trilha e o pelotão parou. Havia um degrau na trilha onde só passava uma bike de cada vez e a situação ficou tensa. Ficamos ali por vários minutos, dando um passo de cada vez até passar pelo obstáculo.


A trilha estava muito encharcada e era difícil se equilibrar. Assim que começou o estradão, o pessoal começou a puxar forte novamente, dando a impressão que daquele momento em diante a prova iria fluir. Saí em uma estrada na divisa com Jaraguá do Sul e novamente tinha mais morro para subir. Agora comecei a reconhecer o lugar, eu estava na divisa com Jaraguá do Sul e Pomerode e assim que cheguei no topo do morro segui pela Estrada Carolina. Eu já imaginava que a organização nos colocaria para subir o Morro do Saco por uma trilha de acesso, esse lugar eu já conheço e exige bastante preparo físico para subir tudo pedalando.

Mas nada estava tão ruim que não poderia piorar. Ao chegar no topo do morro, nos colocaram para subir um pasto bem pesado e uma estradinha de barro vermelho. Logo a estradinha virou trilha e começou o pior trecho da prova. Um lamaçal que não tinha para onde fugir, era impossível pedalar. A sapatilha sumia em meio ao lodo e a bike ia acumulando essa lama nos pneus e logo eles trancavam no quadro e na suspensão. Todos os participantes que estavam ali comigo, começaram a travar uma batalha com a própria bicicleta, tentando achar alternativas em como transpor esse obstáculo. A bike já estava muito pesada para ser carregada, empurrando não dava, ficar limpando a cada minuto é inútil. O jeito foi trazer ela de arrasto, virando montes de lama como se fosse um equipamento agrícola. O pior que isso não foi só na subida, a descida era pior. Acham que eu estou exagerando? Imaginem essa situação por 3km. Isso mesmo 50 minutos para superar 3km de trilha. Era gente caindo por cima da bicicleta e vice versa. Muita gente ficou frustrada, xingaram muito e ali já declararam que não iriam continuar a prova, pois isso não é mountain bike.


Deu vontade de desistir agora também, mas não sou de desistir fácil, a não ser que eu perceba que não vale mais a pena. Ao chegar na estrada novamente, muitos foram embora. Eu ainda acreditava que poderia recuperar a prova. Subi o Morro Schmidt e desci. Mais um estradão e uma trilha infernal, na mesma situação que a anterior.


Encontrei o Everton e conversamos um pouco. Ele falou que estava desistindo da prova. Deu vontade de voltar junto com ele, mas resolvi arriscar mais um pouco.


Entrei em outra trilha e logo depois a subida em estradão, senti as câimbras nas duas pernas, forcei muito naquele lamaçal. Tomei um suplemento e subi o resto do morro empurrando a bike. O corpo já dava sinal de exaustão e não estava nem na metade da prova.


Tentei mais um pouco, dei uma forçada no ritmo mas sentia dores. Outra trilha de empurrar a bike e para mim foi a gota d'água. Não vim aqui para isso. Vim para pedalar, saltar obstáculo, empurrar a bike quando necessário. Não ficar arrastando ela por quilômetros e estragando todos os componentes.


Dei meu número para um staff e saí do circuito da prova. Hoje vejo que demorei para tomar essa decisão, deveria ter desistido antes. Teria me poupado e poupado a bike também. Saí da prova muito frustrado. Foram meses de treino e muito dinheiro investido para chegar aqui e a prova não ter o propósito do mountain bike. Mas é assim, se não vale a pena é melhor não fazer. Não é questão de desistir por não conseguir completar o percurso. Eu acredito que até conseguiria, mas a que preço?

Foi assim, criei muita expectativa e a decepção veio na mesma proporção. Mas como disse um amigo meu: "Não crie expectativas, crie galinhas e porcos. Se tudo der errado, você terá ovos com bacon".

Fui direto para o hostel. Coloquei a bike no teto do carro e fui tomar um banho. Voltei para o local do evento onde encontrei o Everton e o Flavio, logo chegaram o Ernandes e o Fernando. Todos desistiram da prova. Tivemos bastante assunto e eles tomaram chopp para afogar as mágoas. Eu não, pois iria dirigir em breve.

Arrumamos as tralhas no carro e paramos em um Subway para nosso almoço. Já era 15:00hs.


Assim foi mais um final de semana de aventuras e apesar da pedalada não ter saído como gostaríamos, foi muito bom estar na companhia desses amigos. Rimos muito e temos muita história para contar. Se eu vou voltar no próximo ano? É bem provável que não. Abraços e até a próxima aventura.

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