domingo, 1 de setembro de 2019

01/09/2019 - Desafio da Cevada

A minha intenção não era participar de uma prova essa semana, mas o Ernandes foi sorteado com uma inscrição para o Desafio da Cevada de MTB em São Bento do Sul e ficou fazendo pressão para eu participar também. Então fiz minha inscrição.

No dia da prova, fui até a casa do Ernandes, caia uma garoa fina e estava frio. Subimos a serra na esperança do tempo melhorar, mas não foi o que aconteceu. No acesso ao local do evento percebemos a estrada bem molhada, sinal que choveu muito por aqui e a previsão era de mais chuva.

Chegamos cedo, estacionamos o carro e começamos a arrumar os equipamentos. Por sorte ainda não chovia.



Fizemos um breve aquecimento e fomos para o grid de largada. Uma fina garoa começou a cair.




Dada a largada o pessoal saiu em disparada, a pista era estreita e logo já vinha uma subida. Com 5 minutos de prova a chuva veio pra valer e trouxe junto uma bela de uma trovoada. Entramos em uma área de reflorestamento, o dia virou noite e os raios iluminavam brevemente a estrada enlameada, enquanto o som dos trovões ecoavam pela floresta.


Demorei para aquecer. Com 15km de prova consegui encaixar meu ritmo, me sentia bem na bike e comecei a ganhar posições. Tinham muitas subidas e algumas bem íngremes, nesses momentos comecei a ter problemas com as marchas. Elas não estavam funcionando bem nas montanhas mais duras. Encontrei o Ernandes e achei que poderíamos nos ajudar no restante da prova. Entramos em uma trilha e começamos a descer. De repente percebi que estava sem o freio traseiro e quase fui para o barranco. Dali em diante, minha prova acabou e ainda faltavam 70km para concluir.

A chuva deu uma trégua, mas o sobe e desce da região não. Em uma trilha com bastante pedras meu pé soltou do pedal e eu caí. Bati com o ombro mas não foi nada de grave. Depois veio trechos de argilas, muito escorregadios e eu só estava com o freio dianteiro. Nessas horas o Ernandes já estava longe e eu tentava me equilibrar em cima da bike.


Apesar da chuva, as trilhas estavam bem boas para a prática o mountain bike. Todas pedaláveis e algumas com um adicional a mais, como por exemplo a travessia de pequenos rios. Eu já estava exausto e as marchas continuam com problemas. Nos últimos quilômetros passamos por uma fazenda e daí sim tivemos que empurrar a bike. O pasto ficou encharcado.



Terminei a prova com 5:48 hs bem desgastado e a bike também. Encontrei o Ernandes morrendo de frio e eu fui me lavar em uma torneira ali perto. O Ernandes já queria ir embora, mas eu fui dar uma olhada na classificação e para a surpresa dele ainda pegou o 3º lugar na categoria.



Depois foi hora de levantar acampamento, contar histórias e fazer o balanço dos prejuízos kkkk. Na verdade é investimento em diversão e qualidade de vida.



Abraços e até a próxima.

Confira minha pedalada no Garmin:

Confira minha pedalada no Strava:

domingo, 25 de agosto de 2019

25/08/2019 - Maratona Internacional de Florianópolis

Foram dias e noites de treinos para enfrentar esse desafio. A minha primeira maratona foi estrategicamente planejada para ser em Florianópolis, devido ao baixo relevo do percurso. Treinei para terminar a prova, curtir, aproveitar e me divertir. O sábado chegou e aquela ansiedade já tomava conta do corpo e dos pensamentos. Passei na casa do Flavio e partimos para a capital de Santa Catarina. O trânsito estava bem tranquilo, até mesmo na grande Florianópolis e na ponte de acesso à ilha. Assim que chegamos, nos direcionamos para a loja da Decathlon onde seria feita a entrega dos kits. Conforme nos aproximávamos do local o trânsito ia se intensificando. Resolvemos passar reto do local e estacionar em um estabelecimento ao lado, onde tinham várias vagas disponíveis. A fila dava a volta no estacionamento da loja.



Uma hora e meia depois conseguimos sair da Decathlon com os kits na mão. Compramos algumas frutas da feirinha ao lado e fomos almoçar no shopping que ficava perto. Depois do almoço fomos procurar nossa pousada que ficava bem perto da largada da maratona. Estacionamos o carro em uma praça pública que pertence ao museu de armas começamos a caminhar para cima e para baixo nas vielas estreitas da região e nada de achar a pousada. Até que perguntamos para um senhor sobre a pousada e ele avisou que o Sr. Cláudio já estava nos esperando. Descemos algumas pedras e depois caminhamos um pouco na areia, passamos por baixo da ponte Hercílio Luz e finalmente encontramos a pousada. Um lugar bem simples, mas aconchegante e a vista era incrível.








Nos acomodamos no nosso quarto. O banheiro, sala e cozinha são compartilhados. Conhecemos um baiano que estava hospedado e também iria correr a maratona. Saímos para conhecer as redondezas. Fomos visitar o forte e fazer uma caminhada pela Beira Mar Norte.




O que nos chamou atenção aqui foram as bicicletas e patinetes compartilhados, coisas que ainda não temos em Joinville.


Voltamos para a praça para apreciar o pôr do sol.


Um vento sul começou a soprar e esfriou esse fim de tarde. Para esquentar, fui até na pousada para fazer um cafezinho.




A noite caiu e saímos para fazer um lanche. Jantamos cedo para dormir cedo. Voltamos para a pousada e fomos dormir. Nosso quarto ficava bem pertinho do mar e o barulhinho de onda trazia sossego e tranquilidade. A noite foi tranquila, descansei bem. O baiano acordou a gente às 3:50hs. Tomei um café da manhã reforçado e às 5:00hs fomos caminhando até o local da largada. Estava frio, mas não o bastante para se preocupar. Corremos para aquecer e fomos para o nosso portão de largada.


Largamos às 6:10hs, foi emocionante ver aquela quantidade de pessoas todas juntas saindo para um mesmo objetivo.


Seguimos na direção sul e acessamos a ponte Colombo Salles para chegar no continente e percorrer a Beira Mar Continental.



Eu e o Flavio seguimos no mesmo pace, 5:30 min/km. O sol começou a dar sinal que iria aparecer, mas logo se escondeu entre as nuvens. No retorno do continente fechamos nossos primeiros 10km. O corpo ainda estava bem.


O único problema foi uma vontade enorme de fazer xixi. Comecei a me segurar e procurava um lugar para dar uma aliviada. Atravessamos a ponte Pedro Ivo Campos em direção à ilha novamente e no quilômetro 14 haviam banheiros químicos onde pude fazer uma parada de emergência. O Flavio seguiu em direção ao túnel. Agora eu estava mais leve e tranquilo.


Apertei o passo e no final do túnel alcancei o Flavio para continuarmos nossa maratona. Fizemos o retorno quase no Pântano Sul e fechamos os 21km, meia maratona em menos de 2 horas. Até o momento estava tudo tranquilo. Peguei alguns gels e sachês de sal para complementar a hidratação.


Próximo do quilômetro 30 o cansaço psicológico começou a bater. Comecei a fazer gestos e cumprimentar os fotógrafos para ver se a ansiedade passava. Outra coisa que abalou um pouco foi passar ao lado da chegada e pensar que ainda faltavam 10 km para terminar a prova. Teve um momento que o Flavio ficou um pouco para trás. Eu ia acompanhando onde ele estava, mas no próximo ponto de hidratação eu perdi ele. Olhei para trás e não o via mais. Fizemos outro retorno, agora era a reta final. Vi o Flavio caminhando do outro lado da avenida e falei alguma coisa para ele, agora não vou lembrar o que foi. Eu continuei com o meu passo, na esperança que ele estaria repondo as energias.


Nos últimos 5 km o sol resolveu aparecer e o cansaço também. É uma briga física e emocional muito grande. Por sorte eu não sentia dor, mas o desgaste físico era grande. Visualizei o portal de chegada e o pessoal começava a dar incentivos para terminar a prova.


Corri os 42.195 metros em 3:58 hs. Logo depois de passar pelo portal eu não consegui nem caminhar direito. Ficava dando pulinhos no mesmo lugar tentando achar uma maneira de trocar os passos mais lento.


Fiquei esperando o Flavio por alguns minutos e logo ele chegou para comemorarmos juntos nossa primeira maratona.


Pegamos algumas frutas e nos hidratamos e começamos a caminhar em direção a pousada. Foram momentos difíceis. O corpo esfriou e os músculos começaram a contrair. A sensação dessa caminhada foi bem estranha e dolorosa. Chegamos na pousada e o Sr. Cláudio já estava fazendo o almoço. Ele fez questão de tirar umas fotos.



Relaxamos e ficamos contando tudo o que aconteceu durante a prova. Logo chegou o baiano e aí sim tivemos histórias para ouvir e contar. Rimos e aproveitamos bastante esse momento.


Depois do almoço, fui descansar no quarto ouvindo o barulhinho do mar. Logo depois nos despedimos do Sr. Cláudio e da ilha de Florianópolis.


Foi uma experiência incrível, quem sabe um dia volto a fazer uma maratona novamente.

Abaixo segue um vídeo da maratona feito pelo Flavio.


Muito obrigado e até a próxima.

Confira minha corrida no Garmin:

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domingo, 4 de agosto de 2019

04/08/2019 - Desafio Serra Dona Francisca

Hoje foi dia de voltar às corridas. Apesar de eu estar treinando pouco essa modalidade, resolvi me desafiar na subida da Serra Dona Francisca. Aproveitei também para utilizar esse desafio como um dos treinos para a maratona de Florianópolis, que pretendo correr no final do mês.

O dia começou cedo. Acordei às 4:30hs numa madrugada de muito frio. Coloquei uma água para esquentar e fazer um café, e já mandei mensagem para a minha equipe de apoio. Como a largada seria no pé da serra e a chegada no topo, precisei de ajuda para a logística funcionar. Aproveitei que o Ernandes e o Rodrigo iriam fazer um treino na serra e propus uma carona para eles até o local de largada e eles levariam o meu carro até no hotel. Dali em diante eles estariam livres para seus treinos. Isso não seria necessário se minha esposa dirigisse. Aliás, fiquei surpreso quando ela falou que queria ir assistir a chegada da prova.

Pois bem, saí de casa ás 5:30hs e fui até na casa do Rodrigo, depois fomos no Ernandes. Bikes no teto do carro e partimos para a Sociedade Dona Francisca. Cheguei no local de largada às 6:25hs e o jeito foi ficar correndo e pulando para espantar o frio. Enquanto isso, minha equipe de apoio subiu com o carro até no Hotel Fazenda Dona Francisca, local da chegada.

A serra foi fechada pela Polícia Rodoviária Estadual e foi dada a largada. Esse começo de prova é um pouco tenso. É nesse momento que a gente começa a avaliar as respostas do corpo. Demorei para esquentar, aliás, acho que não esquentei até o final da prova. A medida que a gente ia subindo o sol ia aparecendo, o vento aumentando e a temperatura caindo.


O Ernandes e o Rodrigo passavam por mim subindo e descendo a serra e fazendo as imagens. Foi bacana ter fotógrafos particulares na corrida.


Não sei se tem como se poupar em uma corrida dessas, mas foi o que tentei fazer. Corri nos meus 85%, digamos assim. Marquei alguns corredores com o pace parecido com o meu e tentei alcançá-los. Alguns eu ultrapassei, outros não.


Peguei um copo d'água no primeiro ponto de hidratação. Minha garganta estava seca. Foi o suficiente para eu ir até o final da prova. Os metros antes do mirante e depois do mirante foram os mais "pesados". Com mais da metade da prova nas pernas, essas subidinhas viram umas paredes. Depois do último cotovelo resolvi apertar o passo. Se eu queria ganhar mais alguma posição a hora era agora.


Acelerei o ritmo e esqueci tudo em relação à "controle do esforço" e "poupar energia", se fosse possível ultrapassar os 100% de esforço, era isso que eu queria. Comecei a dar sempre o máximo.


Depois da última subidinha antes do hotel, comecei a ouvir o locutor e a torcida e acelerei mais um pouquinho. Dentro do hotel ainda tinha a última rampa para passar pelo pórtico de chegada. Eu ouvia o pessoal me dando forças e chamando meu nome.



Não sei quem era, pois nesse momento a única coisa que um corredor quer é terminar a prova. Mas quero agradecer de coração todas as palavras da torcida.



Sentei por um momento, mas logo levantei e fui dar uma caminhada. Depois recebi os cumprimentos da minha esposa e logo chegaram os amigos.





Começou a esfriar bastante, e ainda batia um ventinho gelado. Troquei de roupa, peguei umas frutas, tomei um café quente e aguardei o resultado.




Assim que saiu o resultado eu já fui conferir. Fiquei em 4º lugar na categoria de 40 à 44 anos. Muito feliz com o resultado, apesar dos poucos treinos físicos. Fiquei por ali tomando mais um café e agora resta aguardar a premiação.




Hora de ir embora. Graças aos meus amigos, meu carro está aqui do lado e não precisei descer a serra correndo para buscar ele lá embaixo kkkk. Muito obrigado! Quero agradecer à minha família e amigos que sempre me apoiam e todos os seguidores do blog. Abraços.

Confira minha corrida no Garmin:

Confira minha corrida no Strava: