terça-feira, 21 de abril de 2015

21/04/2015 - Canoagem no Rio Cubatão

Era noite de segunda-feira, véspera de feriado, eu estava na casa do Fabinho saboreando uma deliciosa pizza e o meu pensamento já estava no que eu iria fazer no feriado. Pensei em fazer um treino de corrida, afinal no próximo final de semana tem mais uma prova e eu não treinei nada. Quem sabe um giro de bike, mas não tava afim de colocar ela na chuva de novo. Foi quando recebi uma mensagem do Maneca dizendo que tinha uma vaga para remar no rio Cubatão. Respondi imediatamente confirmando a minha presença, faça sol ou faça chuva, canoagem sempre é uma excelente atividade. Era 13:10 hs de terça-feira quando o Maneca chegou aqui em casa e nos dirigimos até a casa do Sidnei (Sidoca). Colocamos as nossas tralhas no carro do Sidoca e fomos até a casa do canoísta mais experiente da região: Moacir Conradi.


Chegamos na casa do Moacir, esperamos um pouco pois ele tinha saído com a família, mas logo ele chegou e nos convidou para entrar. Chovia e já colocamos os apetrechos para ir se acostumando com a roupa molhada.


Ajudamos o Moacir a encher o bote e partimos rumo ao Quiriri. Seu filho Vinicius também foi com a gente e como tinha que levar um motorista reserva para trazer o carro, ele e o Maneca tiveram que ir no porta-malas.



Chegamos no local do início da remada e de muita adrenalina.






Antes de entrar na água tivemos uma aula teórica rápida com o mestre Moacir sobre as posições de cada um, remada e ordens dada pelo responsável do leme da embarcação que nesse caso seria o Sidoca.



No bote estavam o Sidoca, Maneca, Vinicius, eu e o Moacir foi no caiaque nos mostrando o melhor caminho.


Com a falta de prática da maioria, muitas vezes o bote girava e entrava nas correntezas de lado o que não favorecia muito a estabilidade do mesmo.



Apesar das chuvas dos últimos dias o rio não estava muito cheio e o início foi cheio de paradas e batidas nas pedras, mas logo começou a fluir melhor. Num lugar onde o rio se divide escolhemos o caminho com mais emoção e apesar de algumas engatadas nas pedras passamos sem maiores problemas. Logo depois batemos de lado em uma pedra e o Sidoca e eu tomamos o primeiro caldo do dia.

Para de tirar fotos e vem resgatar a gente.


Logo após a ponte paramos para descansar um pouco pois esse bote é mais pesado que o duck e cada um rema do mesmo lado o tempo todo.

Câmera molhada não ajuda muito.



Continuamos a descida e apesar do clima frio a gente estava bem quente por todo esforço que fazíamos.





Fizemos mais uma parada para tomar água e trocar a tripulação. O Moacir queria remar com a gente e o Vinicius assumiu o caiaque.



Caí do bote mais uma ou duas vezes, depois caí em um buraco e dei com a canela em algumas pedras, não estava sendo um dia fácil hehehe.




Passamos pela ponte baixa, que agora é alta, e o Moacir já começou a colocar um medinho sobre a corredeira localizada na Águas de Joinville. Eu já conhecia bem aquela descida, mas ouvi bem as instruções.


Por mim tudo bem, gosto de adrenalina e apesar de ter ouvido várias histórias sobre afogamentos e machucados graves nesse tipo de atividade eu estava bem tranquilo. Sabendo nadar, com colete e equipamentos de segurança eu não via maiores problemas para o nível do rio que estava hoje. Nesse trecho a correnteza passa entre pedras de um lado e barranco do outro, o fluxo de água aumenta bastante. Remamos forte até começar a descida e fomos passando pelo trecho de maior dificuldade. Quando eu achava que estava terminando levei uma espécie de tapa de baixo para cima que me jogou para fora do bote. Isso tudo aconteceu em fração de segundos. Enquanto eu tentava nadar para fora da correnteza ela me puxava para baixo. Isso fez eu engolir vários goles de água e me afoguei. Consegui sair da correnteza mas não conseguia respirar. O Maneca jogou a corda de resgate mas eu queria me acalmar e tentar respirar direito. Quando eles chegaram com o bote eu levei um tempo até adquirir forças para pular dentro do bote novamente. Em nenhum momento entrei em pânico, mas o fato de eu não conseguir respirar mesmo estando com a cabeça fora da água me assustou.


Consegui entrar no bote e ficamos esperando o Vinicius descer de caiaque, o menino fez bonito passando pelo meio das pedras. Depois fiquei pensando no susto que levei e agora entendo como pessoas que sabem nadar se afogam até mesmo em rios rasos. Foi bom pra mim, aprendi a respeitar mais a força da natureza.



Mas o melhor ainda estava por vir. A corredeira da ponte coberta da Estrada do Pico, essa é punk e na vez anterior eu não arrisquei em descer. Será que depois do caldo que levei eu arriscaria? Claro que sim, eu aprendo rápido as lições e vamos ver como é passar por baixo da ponte. Novamente as instruções foram passadas e nos jogamos na corredeira. Essa eu acho que segui todas as recomendações pois todo mundo ficou no bote e deu uma sensação de alívio em chegar no fim da nossa trip com 13 km de rio e 2 horas de remadas.

Foto: Manoel Acácio Behnke Júnior

Já era noite quando a esposa do Moacir veio nos buscar e fomos pendurados na lateral do carro até a sua casa onde colocamos roupas secas e ainda tinha um delicioso café com bolo e biscoitos para esses famintos aventureiros. Enquanto a gente se esquentava com o café ouvimos várias histórias contadas pelo Moacir de todos os rios do Brasil e do exterior que ele já desceu e das dificuldades e apuros que já passou. Percebi que canoagem é mais sério do que eu pensava. Quero agradecer ao Maneca e Sidoca por me convidarem para fazer essa atividade nesse lindo feriado de Tiradentes e ao Moacir e toda sua família pela recepção e incentivo. Infelizmente não temos muitos canoístas em Joinville.


Agora tenho que cuidar das minhas pernas pois no próximo final de semana tem corrida. Abraços.

Confira minha remada no Garmin:


Confira minha remada no Strava:

domingo, 19 de abril de 2015

19/04/2015 - Dedo Grosso - Serenata - Jacú-Açú - Rio Molha

Eu e o Maneca estávamos conversando esses dias sobre novos desafios de bike. Foi ai que ele me sugeriu o passeio no bosque que ele fez em 2011. Poxa já faz bastante tempo que esse carinha explora a nossa região. Dei uma lida na postagem e falei pra ele que eu queria fazer aquilo também. Para dar uma complementada no desafio incluí outro trajeto que a gente já vinha conversando há algum tempo, a Estrada Jacú-Açú em Massaranduba. Comecei a riscar o trajeto e para fechar com chave de ouro só faltava achar uma subidinha e um retorno que não passasse pelo mesmo lugar. Estava pronto, marquei para sábado esse belo pedal e convidei os Cães Sarnentos que estão ativos para fazer companhia. O Maneca aceitou logo de cara e o Cassiba sugeriu mudarmos para domingo. Não tem problema, quem me conhece sabe que sempre dou minha opinião, mas sou muito democrático e aceito mudanças para o bem comum. Acordei ás 4:30 hs para os preparativos, café, suplementos e ás 5:30 hs estava saindo de casa. O Cassiba pediu para eu esperar que ele iria atrasar. Ah tá, agora conta uma novidade.

Começou a chover, agora que o Cassiba não vem.

Com meia hora de atraso a lenda chega.
Assim que o Cassiba chegou seguimos pela rodovia do arroz sentido sul para encontrar o Maneca que já nos aguardava na ponte do Rio Pirai.


Feito o agrupamento seguimos viagem até o Bar Canarinho onde entramos na rua lateral sentido Dedo Grosso no interior de Joinville.



Nesse momento o dia amanhecia e já era possível apreciar as belas paisagens da região.



Chegamos no fim da linha, ou melhor, no início para nós. Cheguei a procurar uma estrada alternativa que ligasse a localidade o Dedo Grosso até Serenata em Guaramirim mas sem sucesso.




O jeito foi usar a mesma tática adotada pelo Maneca há 4 anos atrás: pedalar, empurrar ou carregar a bike nas costas por 3,5 km sobre os trilhos de trem. Andar sobre os trilhos já estamos acostumados, mas com uma bike a coisa fica diferente. Então botem a bunda no selim e façam alguma coisa seus cães sarnentos.




Chegamos na ponte que liga os municípios de Joinville e Guaramirim.




Não demorou muito para sentirmos os trilhos vibrarem e ouvirmos o som da locomotiva chegando. Droga, a gente estava em um lugar muito estreito e sem um lugar seguro para ficar. Corremos um pouco e nos acomodamos em um lugar um pouco mais aberto, mas mesmo assim bem próximo dos trilhos.

Lá vem o trem.




Após passar toda a composição seguimos viagem e logo já encontramos uma estradinha de chão que nos possibilitou sair dos trilhos. Perdemos muito tempo nesse trechinho.



Muita lama e poças nos aguardavam, mas estava bem melhor do que pedalar nos trilhos. O Maneca sempre atento já avistou uma goiabeira e seguimos fazendo um lanchinho.




Chegamos na localidade de Serenata e agora a gente precisa sair daqui e chegar na BR-280.





Enfrentamos mais estradinhas de chão e alguns morrinhos, logo chegamos na BR-280 antes da WEG Tintas.



Só atravessamos a BR e adentramos no bairro Corticeira. Pegamos um bom trecho de asfalto até o Rio Itapocu.




Pedalamos pelo asfalto ás margens do Rio Itapocu procurando uma ponte para a nossa passagem.




Estavam todos adorando o trajeto e chegamos próximo da BR-280 novamente. Nesse momento recebo merecidas salvas de palmas dos meus amigos pelo excelente trajeto que criei.


Achamos a bendita ponte e atravessamos para o outro lado. Pegamos estradas secundárias em meio à bananeiras e arrozeiras.









Passamos pela divisa de municípios em algum desses lugares, mas quando chegamos na SC-108 ficou a certeza de que já estávamos em Massaranduba.


Seguimos sentido sul um pouco até uma padaria e comprar água e isotônicos.



Do outro lado da rodovia, um restaurante fechado disponibilizava algumas mesas, bancos e estacionamento para as bikes. Era o que a gente precisava para o nosso lanche.


Abastecidos de comida, bebida e coragem, seguimos pela rodovia sentido norte por aproximadamente 1,5 kms até a Estrada Jacú-Açú.


Nessa estradinha as plantações de arroz predominam. Era possível ver parte do Morro Boa Vista mas o seu topo estava encoberto por nuvens.



Uma garoa fina nos acompanhou em vários trechos dessa região.




É hora de pensarmos em voltar para casa e para isso eu preparei um caminho bem bonito e legal: a Estrada Rio Molha que liga os municípios de Massaranduba e Jaraguá do Sul. O único problema que na verdade não é problema é que tem uma "subidinha".



Mal entramos na estrada e já começou a baixaria. Por essa rua iríamos contornar o Morro Boa Vista.




O bagulho é puxado. O Cassiba estava se poupando e o Maneca aproveitou para encher as garrafinhas de água em um riozinho.





Subimos mais um pouco e chegamos numa pequena gruta a beira da estrada.





Logo o Cassiba chegou e aproveitou para beber água direto da fonte.



Aqui a subida não para, já passava dos 350 metros de altitude e ainda tinha chão pela frente.


Aos poucos a paisagem foi se abrindo e revelando os morros a nossa volta. A garoa continuava e chegamos no ponto mais alto dessa estrada. Agora era só soltar os freios.





Descemos rápido mas era necessário se manter no lado certo da rua, o trânsito de veículos estava bem intenso. A descida estava boa e logo chegamos no asfalto.


No asfalto a descida continuava. Que legal, pena que não foi o bastante para a gente enjoar de tanto descer morro. Pegamos um trechinho de calçamento e saímos do lado da prefeitura de Jaraguá do Sul.


Fizemos mais um lanchinho bem rápido, sem direito a sentar e nada. Agora o foco era voltar para casa pois já tinha gente preocupado com o horário.



Passamos em frente a entrada do Morro das Antenas, ainda com muitas nuvens.



Esse trechinho até Guaramirim eu sei que o Nanico odeia, ele sempre deixa eu puxar aqui, coisa rara de acontecer em outros lugares. Por mim tudo bem, coloco um ritmo acima dos 30 km/h para passar bem rápido e ele sofrer menos. Chegamos em Guaramirim e descansamos alguns segundos nessa árvore que já virou ponto de parada.


O Cassiba passou e o ritmo seguiu frenético. Aqui as coisas mudam e eu volto pra rabeira.



Paramos no trevo de acesso ao Vila Nova para nos despedirmos no Maneca. Fica mais próximo pra ele voltar pela BR-280. Para eu e o Cassiba restou enfrentar a rodovia do arroz.



Tentamos imprimir um ritmo um pouco abaixo dos 30 km/h, afinal as pernas já sentiam os 90 km de pedal.



E a chuva chegou novamente.



Passamos em frente ao Bar Canarinho onde começamos tudo isso há algumas horas atrás.


O ritmo caiu um pouco, parecia que o combustível estava acabando. Tivemos que fazer mais uma parada na Igreja Cristo Rei para pegar água. Chegamos no bairro Vila Nova e me despedi do Cassiba, a lenda que ainda vive. Eu já estava em casa e o Cassiba seguiu pelo binário com destino ao Iririú.


Cheguei em casa com 109 km e a tempo para saborear o almoço que atrasou um pouco. Fiquei muito satisfeito com o pedal de hoje, principalmente pelos diferentes desafios que enfrentamos e lugares novos que exploramos. Quero agradecer a companhia do Maneca e Cassiba por me acompanhar e incentivar nessas aventuras e também a todos os leitores do blog. Muito obrigado.


Confira minha pedalada no Garmin:

Confira minha pedalada no Strava: