Chegamos na estação ferroviária com alguns minutos de sobra, tempo suficiente para as fotos e fazer os últimos ajustes.
Conforme cronograma, á meia-noite já estávamos sobre os trilhos. Demorei um pouco para me acostumar a medir os passos e não errar os dormentes, mas logo peguei o ritmo frenético dos dois. Inicialmente a nossa caminhada estava com média de 6 km/h.
Além dos pedaços de ferro e parafusos deixados pelas empresas de manutenção dos trilhos, nos trechos urbanos há muito lixo jogado pela população. Quem não estava gostando muito do que a gente estava fazendo era a cachorrada das casas próximas dos trilhos. Chegamos no bairro Nova Brasília, ali saímos um pouco dos trilhos e seguimos pelo asfalto.
Caminhamos mais um pouco e o número de casas foi diminuindo. Não demorou muito para entrarmos mata adentro e ficarmos sozinhos ouvindo nossos passos e a natureza.
Nossos passos continuavam rápidos. Uma cobra saiu serpenteando entre os dormentes e ás vezes eram sapos que saíam pulando. Próximo ao rio Piraí levamos um susto com a criação de gado que ruminava durante a noite.
O Maneca ficou com trauma depois da Expedição Serra & Mar e qualquer barulho estranho ele dizia que eram os "bichinhos que comem gente" se aproximando. Passamos sobre a ponte do rio Braço do Piraí enquanto o céu era clareado por trovoadas que vinham de todos os lados.
Durante esse trajeto passamos por várias pontes.
Na região do Dedo Grosso, passamos por mais algumas residências e a cachorrada não perdoava, por sorte estavam presos. No meio do trilho um forte brilho fugia da gente e acabou entrando no mato. De longe até parecia uma lanterna, mas era apenas um gatinho com medo.
As trovoadas começaram a se aproximar e um forte vento começou a soprar.
Com 16 km de caminhada, o que a gente temia aconteceu. Eram 2:45 hs da manhã e começou a chover e trovejar forte. Os constantes clarões revelavam o ambiente que a gente estava. Caminhando somente com as lanternas é difícil olhar ao redor, a maioria do tempo a gente está com a cabeça baixa olhando para os trilhos.
Chegamos na área urbana de Guaramirim e saímos um pouco dos trilhos para dar um descanso para os joelhos. Combinamos de fazer uma parada assim que possível em um lugar próximo dos trilhos.
| Atravessando a SC-108 (rodovia do arroz) |
Ás 4:45 hs o sono começou a bater, as pernas já estavam bem doloridas e os pés encharcados. Paramos em um ponto de táxi para fazer um lanche.
Não ficamos ali muito tempo, pois parado parecia que dava mais sono. Para a nossa sorte a chuva parou e continuamos seguindo os trilhos rumo à estação ferroviária de Guaramirim. Chegando lá descansamos mais um pouco, pois as pernas e os pés já estavam no limite.
Nossa caminhada continuou, agora num ritmo mais lento. Enquanto isso o dia clareava.
| Pico Jaraguá |
Não riam, chegamos no rio Itapocuzinho.
| Maneca dando orientações. |
Continuamos nossa caminhada, passamos sobre os trilhos em frente ás dependências da WEG onde os funcionários estavam saindo e ficavam observando e comentando sobre esses três malucos andando nos trilhos.
Novamente saímos um pouco dos trilhos para andar na calçada compartilhada que vai costeando os trilhos até a estação ferroviária. Algumas pessoas nos cumprimentavam e outras ficavam surpresas, como a Betina, uma menina que quis saber o que a gente estava fazendo, já que ela também curte aventuras e está se preparando para uma em 2016.
| Menino rebelde, não quer largar os trilhos. |
Chegamos na ponte sobre o rio Itapocu. Para essa travessia acompanhamos o Cassiba.
Começamos a ouvir os apitos e atravessamos rápido a ponte já que o dono desse lugar estava chegando.
| Aguenta esses dois guris brincando de briguinha pelas ruas. |
Em cada vagão ia escrito o slogan da ALL que pegamos emprestado e carregamos com a gente.
Minhas pernas doíam muito. Eu não via a hora de chegar logo. Meus pés mesmo molhados estavam fervendo, cheios de bolhas e minhas pernas estavam com assaduras. Caminhamos mais alguns metros e chegamos no nosso destino depois de 8:10 hs e quase 38 km de caminhada.
Não demoramos muito ali e fomos logo nos dirigindo para a rodoviária. A ideia inicial de irmos até Corupá ficou para uma próxima vez já que todos estavam bem desgastados.
| Meninos vamos embora, deixem as compras para outro dia. |
Chegamos na rodoviária, conseguimos nos limpar um pouco e compramos nossas passagens.
Assim que entramos no ônibus só deu tempo de tirar algumas fotos e nos entregamos ao cansaço.
Maneca e Cassiba muito obrigado por me apresentarem mais essa experiência. Na hora não foi fácil, mas como diz o Maneca: "...depois vamos rir muito de tudo isso". Quem quiser fazer algo parecido é melhor ir bem preparado, pois não basta "fazer academia" e praticar atividades físicas, é preciso ter prática e muita resistência. Foi a atividade mais desgastante que já fiz, até mais do que o Audax 1000 K. Abraços e até a próxima.
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