sábado, 9 de janeiro de 2016

09/01/2016 - Estrada Limeira

Início de ano e ainda estamos em clima de festa. Chegando o final de semana, minha esposa foi para a praia na sexta feira enquanto eu trabalhava e sugeriu para eu ir de bike pra lá no sábado. Por mim tudo bem, mas como é um pedal muito rápido de Joinville á Itapoá resolvi colocar em prática um antigo projeto de conhecer a Estrada Limeira no estado do Paraná. Convidei alguns ciclistas para ter companhia mas não tive sucesso na minha busca. O jeito foi encarar o desafio sozinho e registrar a aventura com muitas fotos. Na manhã seguinte acordei ás 4:00 hs e tomei um café da manhã bem reforçado, coloquei tudo na mochila e antes das 5:00 hs eu já estava na estrada.


Segui pela rodovia do arroz e antes de chegar na BR-101 encontrei um casal de ciclistas que iriam até Guaratuba, bem, não sei se eram casados, porém eram um homem e uma mulher. Desejei-lhes boa viajem e segui pela BR-101 até Rio Bonito onde acessei a avenida Celso Ramos. Nesse momento o meu farol simplesmente apagou e a rua não tem iluminação pública. Eram 5:30 hs e ainda estava escuro. Continuei pedalando pela escuridão, desviando de poças e fugindo de alguns cachorros. Aos poucos o dia foi amanhecendo e revelando uma linda paisagem.





Cheguei em Garuva e passei pelas grandes fábricas da cidade. Aproveitei o asfalto para recuperar um pouco o tempo perdido.


Ás 6:35 hs já estava no centro da cidade e no semáforo encontrei o mesmo casal de ciclistas trocando um pneu furado. Agora parei para conversar um pouco, oferecer ajuda e reconheci eles. Também moram no Vila Nova e pedalei com eles naquele "divertido" pedal para Campos do Quiriri. Infelizmente não lembrei de registrar a foto.


Me despedi deles e segui rumo á região de Caovi pela estrada de chão.


A estrada estava boa para o rendimento da pedalada, bem plana e sem buracos. Nesse momento o sol resolveu dar a primeira espiada entre as nuvens.


O movimento de carros, caminhões e tratores é constante. Aqui predomina a plantação de arroz, banana e palmeiras.




Vários rios cortam a estrada, comecei a tirar fotos de alguns mas quando percebi que eram muitos e eu perderia muito tempo para registrar todos, resolvi fotografar alguns.


Aos poucos fui sendo cercado por montanhas e infelizmente meu guia de montanhismo não veio, então eu tinha que inventar alguns nomes que vinham na cabeça e depois conseguia ficar rindo disso sozinho.



Como havia falado, esse é um projeto antigo, eu já havia traçado essa rota e li alguns relados. Sabia que alguns ciclistas se perderam então eu estava de olho no mapa para isso não acontecer. Em uma curva da estrada dei uma olhada no mapa e percebi que havia saído da minha rota, pois a estrada lhe convida para fazer isso. Para atravessar o rio Cubatão do Paraná havia duas alternativas: pegar um acesso á esquerda ou atravessar uma ponte pênsil. O problema era que eu não achava a ponte e cheguei a duvidar que ela existisse. Um morador da região ia passando com sua bicicletinha e lhe perguntei onde ficava a tal ponte pênsil. Ele disse:
- É só passar do lado do galpão e seguir a trilha.
- Mas não é propriedade particular?
- Não sei, mas pode passar, todo mundo passa.
- Obrigado.
Passei ao lado de um galpão com máquinas e implementos agrícolas. Mais a frente passei ao lado de um bananal e começou uma trilha com muitas pedras formando um rock garden nervoso enquanto na parte de cima era preciso ter cuidado com a cabeça por causa do banana garden. Do lado direito estrebarias, chiqueiros e uma cerca de arame farpado limitavam o acesso ao pasto.




Percorri esse caminho por quase 400 metros até chegar na ponte e avistar o majestoso rio Cubatão.



A vista é incrível, a água correndo forte lá embaixo e no horizonte era possível avistar as montanhas. A ponte, com aproximadamente 100 metros, balançava bastante, os cabos de aço enferrujados e as tábuas soltas colocavam em dúvida a segurança de quem passasse por ali.



Depois de atravessar o rio a estrada mudou. Não era mais a mesma estrada larga e movimentada como antes. A estrada foi ficando estreita, já não avistava mais tantas casas e raramente passava um carro. Resolvi parar para fazer um lanche. Deitei a bicicleta no meio da estrada e sentei em uma pedra sob a sombra de uma árvore.


Aos poucos começaram a surgir alguns morros para eu subir e também algumas cobras no meio do caminho.





Cheguei em uma ponte feita de tubos, o rio era largo e raso. Confesso que deu vontade de ficar dentro desse rio alguns minutos pois apesar do céu nublado o clima estava abafado.




Em um trecho da estrada a água ainda estava sobre a pista, encarei essa pequena poça torcendo para não cair da bike. A água chegou a quase meia roda da bicicleta e fiquei com as duas sapatilhas ensopadas. Pelo menos refrescou os meus pés. Ao fundo comecei a avistar montanhas que iam ficando cada vez mais próximas, nesse momento imagino que talvez tenha um túnel para eu passar kkkk.


Começaram as subidas e novamente não tem túnel. Pelo menos não é uma subida sem pausas, fui subindo aos poucos, ás vezes a estrada ficava plana e subia mais um pouco. Outras vezes tinha que descer e depois subir tudo de novo.


Parada rápida para abastecer as garrafinhas com água fresca.




Cheguei no topo da serrinha com 408 metros de altitude. Fiz um lanche rápido e soltei os freios, só fiz uma paradinha para registrar esse pico entre nuvens.



A descida foi muito louca e também muito rápida. Assim que cheguei no asfalto achei essa árvore á beira da estrada com alguns banquinhos. Era o que eu precisava. Já eram 10:40 hs.



Pedalei mais alguns quilômetros e cheguei na BR-277. Por incrível que pareça o vento não estava contra e consegui recuperar um pouco do tempo perdido nas várias paradas que eu fiz.



Cheguei no município de Alexandra.



Depois da ponte o acostamento acaba e daí você tem que brigar por um espaço na pista com os carros.



Fiz mais uma parada em uma lanchonete e logo depois chegou outro ciclista. Ele estava indo para Guaratuba e combinamos de nos ajudar a enfrentar o vento contra que soprava agora.


Ele estava puxando em um ritmo bom, acima dos 32 km/h e eu já estava bem desgastado. Dei graças quando furou um pneu e falei que ele poderia seguir sozinho, pois ele já havia me avisado que estava atrasado. Fiz a troca bem tranquila, sem pressa.


Montei a roda e pedalei por uns 200 metros quando o pneu furou de novo. Agora eu xinguei muito. Tentei fazer uma troca mais rápida e segui meu caminho.


 Passei por Matinhos e Caiobá. Já passava das 13:00 hs e o trânsito estava tranquilo.


A bordo da balsa avisei minha esposa que eu iria me atrasar, pois fiz uma previsão de estar em casa ás 14:00 hs.





Apesar do forte vento de Guaratuba eu conseguia manter o ritmo próximo dos 30 km/h. Parei em um posto e comprei mais duas garrafas de água e duas de Gatorade. Aqui não tem rios com águas cristalinas onde eu possa encher as garrafinhas de graça.


Entrei no acesso á Itapoá e agora o vento contra pegou pra valer. A média não passava dos 25 km/h.




Cheguei no litoral de Itapoá e tive que fazer a última parada para consumir a última garrafa de água e as duas últimas bananas secas para pedalar os últimos 12 km.


Curti mais um pouco o litoral.


Ás 15:50 hs eu já estava em casa. Foram 10:50 hs de uma pedalada de 193 km. Essa foi para começar bem o ano. Recomendo esse pedal da Estrada da Limeira a todos que curtem o mountain bike e a natureza. Até a próxima. Abraços.

Confira minha pedalada no Garmin:

Confira minha pedalada no Strava:

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

31/12/2015 - Análise e Agradecimentos de 2015

Não posso reclamar do ano de 2015 quando falo das minhas práticas de atividade física e da minha saúde. Acho que cada vez está melhorando.

Ás vezes exijo demais de mim, mas aos poucos consegui equilibrar as emoções e meu estado mental perante as situações adversas. Em relação ao meu físico acho que está bom também. Nunca tive facilidade para engordar o que me dá um brecha para comer de tudo e isso atrapalha um pouco no meu desenvolvimento como esportista. Falo esportista porque estou longe de ser considerado um atleta, mas aceito o termo atleta amador para não ser chato.

Coloquei algumas metas no início de 2015 as quais não cumpri: queria ter participado das etapas regionais de MTB mas já na segunda etapa senti a dificuldade de investimento, tempo e deslocamento e não participei das etapas seguintes, o que me deixou um pouco frustrado. Queria também ter treinado mais a natação para participar de algumas travessias ou quem sabe um triatlo mais á frente, mas achei um monte de desculpas para não realizar isso também.

Apesar de ainda não ter um caiaque consegui fazer quatro boas remadas durante esse ano no Rio do Júlio, Cubatão, Itapocú e a travessia da Baia da Babitonga. Outro grande feito que considero esse ano foi a caminhada sobre trilhos de Corupá á Joinville onde percorremos 57 km caminhando sobre os trilhos de trem. O montanhismo ficou apagado da minha agenda esse ano. Não sei o que aconteceu mas no próximo ano isso vai mudar.

Na bike consegui concluir minha meta pessoal de 6000 km pedalando 7016 km e na metade do ano consegui adquirir minha bike speed, um desejo e curiosidade que eu tinha há tempos. A corrida deixei a "meta em aberto e quando eu atingisse a meta eu dobrava a meta" kkkk, brincadeiras a parte foi um bom ano de corridas e treinos que somados passaram dos 400 km.

Só tenho a agradecer o ano que passou, pela minha família, saúde, aquisições e minhas amizades. Que venha 2016. Muito obrigado a todos.

Confira meu resumo de pedaladas:


Confira meu resumo de corridas:

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

29/12/2015 - Guaratuba - PR

Até que enfim chegaram as férias. Como nos anos anteriores passei alguns dias na casa do meu sogro em Itapoá - SC e é claro que eu não poderia deixar de levar a bike. O problema foi decidir qual delas levar pois há bastante estradas de chão para explorar com a mountain bike, mas peguei gosto pela velocidade da speed e então foi uma escolha difícil. Acabei levando a speed e já no primeiro dia fui fazer um pedal de reconhecimento. No dia 29/12 acordei cedo para ir um pouquinho mais longe, minha meta era fazer 100 km então segui pela beira mar acompanhado de uma fina garoa. Na Barra do Saí segui pela rodovia em direção ao Paraná. Agora a chuva pegou pra valer, alguns pingos grossos chegavam a arder o rosto, mas sabia que seria passageira pois no horizonte era possível ver o céu mais claro. Fiz uma breve parada na PRE do Paraná, nesse momento a chuva cessou e logo eu segui viajem rumo ás praias de Guaratuba.


Fui me infiltrando na cidade e aos poucos o movimento foi aumentando: filas de carros, pedestres atravessando a rua, ciclistas (bicicleteiros) na contra-mão. Estava difícil dessa pedalada fluir. Com muita paciência cheguei na praia central, onde é possível descansar e desfrutar de uma linda vista do Morro do Cristo e pedalar pelo largo calçadão que acompanha toda a praia.









Minha intenção não era ficar muito tempo por ali, mas a tranquilidade que o lugar passava e o calçadão com muitas pessoas caminhando, correndo e pedalando me dava a sensação de estar no lugar certo. Investi uns 30 minutos nesse lugar e logo tive que enfrentar novamente o trânsito para sair da cidade.


Novamente na rodovia encontrei um casal de ciclistas com as bikes cheias de alforges. Perguntei para onde iriam e a resposta foi: Florianópolis, é um bom chão, desejei boa sorte ao casal e segui meu treino. Resolvi fazer meu retorno pela SC-416 que dá acesso ao porto, o pessoal que me conhece já sabe que prefiro passar por outros caminhos do que ir e voltar pelo mesmo. Passei pela divisa dos estados e o sol resolveu dar uma castigada.

Divisa dos estados PR - SC

Eram 11:30 hs quando adentrei na rodovia do meu retorno. A chuva que caiu cedo deixou minhas roupas e o asfalto molhados, agora com o sol sinto o vapor quente subindo e a sensação de estar em uma panela de pressão. Para ajudar não tinha vento, o que raramente acontece no litoral.



Pensei em fazer a volta pelo Pontal o que aumentaria minha quilometragem em uns 15 km, mas eu não estava mais afim, estava muito cansado. Ao chegar próximo da casa onde eu estava percebi que iria faltar uns 2 km para eu fechar a meta. Tive que fazer igual ao Maneca que fica dando voltas no quarteirão para fechar a quilometragem. Passei da rua onde fica a casa e quando percebi que garantiria a quilometragem fiz uma parada para tomar uma água e voltei.


Terminei meu pedal com 100,5 km, tudo friamente calculado rsss. Foi muito bom, apesar das adversidades, me faz lembrar os bons tempos de randonneur. Abraços.

Confira minha pedalada no Garmin:

Confira minha pedalada no Strava: