sábado, 21 de junho de 2014

21/06/2014 - Rio dos Cedros - SC

Há meses venho planejando esse pedal para Rio dos Cedros, mas por vários motivos ele foi sendo adiado. Depois de adequar o trajeto para ser possível fazê-lo em um dia, era só esperar o tempo cooperar. Comecei a acompanhar a previsão do tempo dez dias atrás e tudo indicava que seria um dia muito frio mas sem chuva. Marquei a data e convidei alguns ciclistas para fazer companhia. Liguei para a minha tia Selma informando que eu estava levando uma tropa para almoçar lá. Mas como é de costume a maioria estava com a agenda lotada, menos o Maneca que nunca negou um convite meu pois ele adora os pedais e eu organizo rsssss.

Será que esse foi o motivo das desistências?

Passou um pouquinho das 5:00 hs da manhã quando encontrei o Maneca no posto do final da rua XV de Novembro no Vila Nova com a bike emprestada da Sra. Cabela. Realmente estava muito frio.


Encaramos a rodovia do arroz com muita névoa. O Maneca, muito patriota, levou até uma bandeira do Brasil presa na bike.


Passamos por Guaramirim e o centro de Jaraguá do Sul, chegamos num lugar desconhecido para nós mas as placas indicavam que estávamos no lugar certo. O dia amanhecia quando fizemos uma parada para o Maneca tirar a calça de lã que ele tinha colocado por baixo da roupa.







Seguimos num sobe e desce suave e encontramos quatro ciclistas que precisavam de cola para fazer remendos. Dei um tubo de cola para eles já que tínhamos bastante câmaras reservas e o Maneca ainda tinha cola sobrando. Conversamos um pouco e o "James Bond" perguntou para onde a gente iria. Falamos do nosso destino e o que ouvimos foi: "vocês conhecem a Estrada do Rio Manso? Aquilo é manso mesmo perto do que vocês vão enfrentar". Deu um nó na garganta.

Eu, James Bond e Maneca
Nos despedimos e isso se tornou assunto para os próximos quilômetros. Chegamos em mais um trevo.



Chegamos na comunidade de Garibaldi e já identificamos o início do circuito Vale dos Ventos.




O sol ainda estava tímido e a serração densa. Começamos a sentir a subidinha e paramos em uma casa para pedir um pouco de água.




A senhora da casa duvidou que chegássemos antes do meio-dia na barragem Rio Bonito. Mas ela não conhece a gente rsss. Logo começou a baixaria.


No primeiro alívio e sombra da subida fizemos uma parada para o lanche e para o Maneca fazer uma limonada com limões da região.






Fizemos algumas fotos na primeira passagem de água que tem sobre a estrada.





Não sei como descrever esse lugar, muito bonito é pouco.



Agora na segunda água sobre a estrada.




A neblina ficou para trás e agora o sol permanecia sobre nós. Só que começou um vento muito frio e ainda tinha subida. Chegamos na divisa dos municípios no ponto mais alto do nosso pedal 742 metros de altitude.




Agora a gente já estava em Rio dos Cedros, era só achar a casa da minha tia. Fazia tempo que eu não vinha pra cá e não lembrava muito bem da localização. E esse caminho é a primeira vez que faço. Seguimos em direção a barragem Rio Bonito.





Não encontrei a casa da minha tia e a ideia de irmos até a cachoeira Formosa foi abortada por votação: 2 X 0. Sem sinal de celular e sem telefone público o jeito foi pedir informação. Algumas palavras e um sobrenome são suficientes para se achar alguém aqui. Fomos informados que era necessário retornar por mais ou menos 5 km. Pelo menos era descida e barragem não falta nesse lugar.









Comecei a reconhecer essa região e enquanto tirava foto de uma placa, um senhor nos chamou e começou a fazer algumas perguntas mostrando interesse no que estávamos fazendo.


Conversa vai e conversa vem descobri que ele é irmão da tia Selma que mora logo abaixo. Enfim, chegamos na casa da tia Selma e do tio João já era 11:00 hs, eles são proprietários do Bar Trevo muito conhecido na região. Sobrou tempo para descansar um pouco, tomar um café quente e esperar o almoço.


Lá em cima batia um vento muito frio. Estávamos suados e o vento frio parecia que ia nos congelar. Já o tio e a tia acharam melhor ficar com uma camiseta de manga. Ficamos um pouco no sol e colocamos algumas peças de roupa para secar enquanto a gente conversava com a Aline filha da prima Preta. Depois de aquecidos fomos desbravar as belezas da região.









A tia chamou para o almoço e serviu o banquete: aipim, arroz, muita carne e salada. Claro que enchemos o prato e ainda repetimos, aqui não tem cerimônia, afinal o retorno seria mais longo. O Maneca descansou mais um pouquinho e logo nos despedimos.



Tia Selma, eu, tio João e Maneca no Bar Trevo
Iniciamos a descida em direção ao centro de Rio dos Cedros e o pipeiro (cunhado da tia que trabalha no caminhão pipa) tinha acabado de descer molhando a rua. A bike ficou toda suja de lama e as roupas também, faz parte desse esporte.






No centro de Rio dos Cedros registramos nossa passagem na igreja, no terminal rodoviário e na prefeitura.




Próximo destino era Pomerode onde fizemos mais uma parada antes de subir a serrinha.










Depois do lanche fomos enfrentar a última serrinha do dia, muito sofrido isso depois de tantos sobe e desce.


Fizemos a última parada para encher as garrafas de água na cachoeira da santa e partimos.


Atravessamos todo o trânsito de Jaraguá do Sul e ás vezes me dava câimbras fortes que era necessário parar por alguns segundos. Quando chegamos na BR-280 a noite caiu, me despedi do Maneca pois pra ele é mais perto seguir sentido BR-101 e eu voltei pela rodovia do arroz.


Precisei fazer mais uma paradinha no posto Brüderthal, apesar do almoço reforçado e do lance estava com prego de fome. Só foi comer um salgado e tomar um energético que minhas energias se renovaram.


Cheguei em casa ás 19:14 hs com quase 190 km contabilizados.


Assim foi mais um dia de conhecer lugares novos, pessoas novas, de sofrer um pouquinho e se divertir bastante. Quero agradecer a minha esposa, tia Selma, tio João, primos e ao Maneca pela companhia e paciência nesse pedal. Com certeza vamos fazer mais vezes isso. Abraços.


domingo, 8 de junho de 2014

08/06/2014 - 4º Marathon Márcio May Pedra Branca

Os meses de maio e junho estão sendo tumultuados pra mim. Muito trabalho, compromissos e muitos problemas para resolver na nova morada. Não, não estou reclamando, mas os treinos que eu gostava tanto de fazer acabaram ficando em segundo plano. Mesmo assim resolvi encarar a competição organizada pelo Márcio May em Palhoça - SC, a qual já coloquei no meu calendário anual de competições. Saí de Joinville no sábado com chuva e a previsão era para continuar chovendo. Cheguei no local para retirar o kit e a fila já era enorme, mais de 850 atletas estavam inscritos.



Depois fui para o hotel descansar um pouco, jantei uma boa massa e fui dormir cedo. Choveu a noite toda e na manhã seguinte não foi diferente, pelo menos não estava frio. Comecei a preparar as coisas tentando não me molhar muito antes da largada.




Minha esposa, apoio e fotógrafa
O pessoal começou a alinhar para a largada embaixo de chuva. Ficamos parados, nos molhando por alguns minutos e logo começou a contagem regressiva para o início da prova. Os primeiros quilômetros são neutralizados e depois começa a baixaria.


Foto: TrilhasBR
A chuva não deu trégua e não demorou muito para eu me sujar. As estradas de chão estavam só em lama, ou melhor, parecia mais uma nata avermelhada sobre a estrada. É a terceira vez que participo do marathon da Pedra Branca (vejam como foi a edição de 2012 e 2013). Para quem se arrisca nos 52 Km são três subidas fortes que eu chamo de morreba, serrona e cristo. Pela primeira vez consegui subir pedalando a morreba apesar da chuva, lama e falta de treinos. Depois veio a descida e muita cautela para não cair na ponte do final da descida, pesadelo dos ciclistas que fazem essa prova.

Foto: TrilhasBR
Foto: TrilhasBR
Foto: TrilhasBR
O sobe e desce continuou pelas estradas do interior e a minha bike já começava a estralar tudo. Continuei num ritmo bom mas logo o cansaço tomou conta e comecei a me preparar psicologicamente para enfrentar a serrona. Eu já sabia que teria que empurrar. Enfrentei a serrona empurrando e depois tem mais uma descida que leva a gente para o asfalto na SC-281.

Foto: TrilhasBR
Esse trecho é um alívio, pois é uma boa descida que serviu para relaxar e tirar o excesso de lama da bike. Mas a alegria dura pouco, novamente em estrada de chão já pensando em chegar no morro do cristo, o mais íngreme dos três. Oras empurrei de novo. Durante a subida vim conversando com um ciclista que perguntou de que cidade eu era, falei que vim de Joinville e logo ele falou que conheceu dois ciclistas de Joinville que pedalam muito: o Cabelo e o Maneca que fizeram o Audax 600 com ele. Que mundo pequeno não? Depois disso o papo fluiu e fomos contando várias histórias e perrengues que passamos nessa vida de viajante sobre duas rodas. O nome dessa fera é Anésio. Durante a conversa me deu câimbras fortes de eu chegar a gritar de dor e também precisava de água pois não aguentava mais tomar suplementos.

Eu e Anésio. Foto: TrilhasBR
Na esperança de conseguir um pouco de água virei o rosto pra cima e abri a boca para pegar água da chuva. Não deu muito certo mas logo a frente já tinha um posto de hidratação.

Foto: TrilhasBR
Foto: TrilhasBR
Depois do morro do cristo tinha um bom trecho de descida, eu não tinha mais perna e o Anésio me passou abrindo uma boa vantagem.

Foto: TrilhasBR
Foto: TrilhasBR

Foto: TrilhasBR

Foto: TrilhasBR
Depois de 45 Km chegamos novamente na cidade. Pedalamos por calçamento e asfalto até a entrada da cidade sustentável Pedra Branca onde nosso ilustre anfitrião preparou a última surpresa do dia: 1 Km de trilha sobre o mato que tinha sido roçado. O resultado: lama até a metade da roda e se precisasse colocar o pé no chão era água até no joelho. Eu xinguei muito aquela situação, mas agora já posso dar risadas.

Foto: Divulgação Marathon Márcio May Pedra Branca

Foto: TrilhasBR
Foto: TrilhasBR
Cheguei acabado com o tempo de 3:16:19 hs em 39º na categoria e 213º no geral.

Foto: TrilhasBR
Foto: TrilhasBR

O jeito depois foi tirar a lama da bike e do corpo, um lava jato ajudava no serviço.

Foto: Divulgação Marathon Márcio May Pedra Branca
Ficamos mais um pouco por ali para ver a premiação dos campeões Marcelo Moser (Pinguim) e Tânia Clair Pickler Negherbon e também para quem sabe sair com um dos brindes dos sorteios, mas hoje não. Assim terminou mais uma edição do Marathon Márcio May Pedra Branca. A bike vai demorar na manutenção.