segunda-feira, 8 de julho de 2013

07/07/2013 - Caminho do Itupava - PR

Esse final de semana era para ser dedicado à uma corrida, mas durante a semana passada recebi um convite do Maneca para participar de um trekking no estado do Paraná. Não pensei muito e confirmei participação nessa aventura diferente e que "peguei gosto". Na verdade o idealizador dessa aventura foi o Sidnei, cunhado do Maneca. Daí o Maneca se encarregou de arrastar eu e o Cassiba. Esse passeio foi muito bem organizado pela equipe do Roda Livre Biker´s de Curitiba e contou com translado de van, guia, água, frutas e barrinhas de cereal caseiras (deliciosas). Acordei ás 3:00 hs da matina para ir até a casa do Sid. Logo chegou o Maneca e o Cassiba e partimos rumo à Curitiba. Com o auxílio do GPS encontramos logo o local de encontro, a ansiedade tomava conta dos nossos pensamentos enquanto uns já faziam um lanchinho. De tantas fotos o Sid acabou ficando fora da minha foto oficial de chegada, ou melhor, ficou só o vulto dele entre eu e o Maneca.


Feitas as fotos e as devidas apresentações embarcamos na van em 11 aventureiros rumo a Morretes com direito a descida pela Estrada da Graciosa que trouxe boas lembranças quando descemos de bike. Chegamos no início da trilha onde o mapa já adiantava tudo o que nos esperava. O Caminho do Itupava foi aberto a partir de uma trilha indígena no período pré-colonial entre 1625 e 1654 por índios e mineradores e calçada com pedras irregulares por escravos ligando os municípios de Morretes e Quatro Barras. Foi uma das principais vias de comunicação entre o primeiro planalto paranaense e a planície litorânea até a conclusão da Estrada da Graciosa em 1873.


Depois de algumas fotos e ouvir algumas orientações, partimos da Estação Engenheiro Lange rumo ao nosso objetivo. No início uma estrada larga e pouco íngreme disfarçava o que vinha pela frete. O dia estava quente e o sol nos acompanhou em todo o trajeto até o anoitecer.




Um outro lugar que podemos conhecer futuramente é a trilha para o Salto dos Macacos que fica do outro lado do rio.


O caminho é cercado por montanhas e com poucas bifurcações, em algumas delas tem placa de indicação.



Saímos da estrada e para iniciar a trilha é preciso subir uma escada onde o primeiro degrau fica a um metro do chão.





Logo no início da trilha uma linda paisagem sobre a ponte do Rio Taquaral.



Durante a caminhada a gente não sabe nem para que lado olhar, a mata praticamente intocada ecoava o som do apito do trem que descia e subia os morros e dos rios que formavam pequenas cachoeiras.




Chegamos em mais uma ponte, agora sobre o Rio São João, depois paramos um pouco para nos hidratar.





O Maneca, como sempre, estava muito empolgado, parecia uma criança no parque de diversões.


Até aqui seguimos pela trilha sempre pisando sobre a terra úmida e fofa. Desse ponto em diante começa o calçamento feito com pedras pelos escravos. Andar por trilhas assim é como saltar em pedras sobre o rio, pois é necessário se equilibrar e escolher a pedra que vai pisar.



Depois de 5 km de caminhada, chegamos no Santuário Nossa Senhora do Cadeado, onde fizemos um lanche um pouco mais demorado.




Do santuário era possível ter uma linda vista do Pico do Marumbi.



Enquanto a gente fazia o lanche ouvimos o trem vindo em nossa direção. Desci rapidamente para fazer uma foto histórica. Programei a máquina e fiquei esperando o momento exato de acionar o botão e sair correndo para a foto. A ação precisava ser bem sincronizada, pois eu teria somente uma chance. E não é que deu certo!


Depois do lanche a gente precisava repor nossos estoques de água. Fomos informados pelo guia que havia uma bica da água do outro lado do túnel. Túnel? Por que não falou antes? Fomos correndo seguindo a linha férrea, mas fomos avisados que poderia vim um trem do sentido contrário a qualquer momento.



Começamos a procurar a bica d'água, mas antes de achá-la ouvimos novamente o barulho do trem agora do outro lado. Será possível? Pensamos. Não deu outra, o trem apareceu depressa e tivemos que escolher um dos lados do trilho e esperar.




Depois que o trem passou encontramos a bica d'água e enchemos nossas garrafas, voltamos rápido, vai que aparece outro trem, pelo jeito essa ferrovia é movimentada.



A trilha continuava do outro lado dos trilhos e para a nossa surpresa tínhamos que subir uma escada sem degraus, só tinha corrimão.


Depois mais uma escada, agora mais completa, mas muito íngreme.


Depois de subir escadas a trilha continuou muito forte sobre as pedras. Esse senhor também estava no nosso grupo, um exemplo de força de vontade, com 78 anos, se não me engano, fez a trilha completa sem resmungar.


Continuamos a trilha um pouco mais rápido que o restante do grupo e nos distanciamos um pouco. Eu aproveitava o tempo para observar as árvores, pássaros e fazer mais fotos.





Após uma sessão de fotos percebemos que o Cassiba sumiu na nossa frente, tentamos alcançá-lo, chamamos e nada. O Maneca usou o apito esperando uma resposta mas a mata ficou em silêncio. Tudo bem, ele já é grandinho e sabe se virar. Paramos em mais um rio para pegar água e descansar um pouco, nesse momento encontramos o Cassiba na margem do rio.


Reunimos novamente o quarteto e continuamos a caminhada sobre pedras e a altitude só aumentava. Nesse ponto a altitude era superior a 900 metros em relação ao nível do mar.



Novamente atravessamos os trilhos e chegamos nas ruínas da Casa do Ipiranga. Construída alguns anos depois da ferrovia para residência do engenheiro chefe da linha e posteriormente como clube de lazer e festas. Abandonada foi rapidamente destruída por vândalos. Próxima a casa, uma estufa feita com trilhos.


Assim era a Casa do Ipiranga.

Foto: Zig Koch


Ficamos ali descansando e esperando o grupo por mais de uma hora, mas a gente não sabia que eles estavam visitando mais "atrações" que passamos batido por não conhecer o lugar. Agora temos um motivo para voltar lá e fazer essa trilha novamente. Seguimos o caminho e pela nossa caminhada a gente iria chegar no final da trilha próximo ao anoitecer. Eu já estava muito cansado e com fome, acho que todos estavam por isso é que apertamos o passo.





A trilha passava entre duas montanhas, nesse momento chegamos no ponto mais alto da nossa caminhada, 1076 metros de altitude, depois uma descida suave relaxou um pouco as pernas.


Uma clareira indicava o caminho a ser seguido para quem iria descer a trilha, a expectativa de chegar no final foi assunto das nossas conversas por mais alguns quilômetros.



E com quase 8 horas e 18,2 km caminhados sobre pedras, chegamos no final da trilha. Eu estava exausto e com muita fome, mas satisfeito por ter completado o percurso e ter conhecido esse lugar maravilhoso.


Com certeza, vou ter que voltar aqui e fazer o caminho inverso, para ver algumas coisas que não consegui ver nessas oito horas no meio da mata. Paramos em um barzinho ali perto para comer um salgadinho e tomar uma gelada até o grupo chegar. A aventura continuou com a volta para casa.


Muito obrigado ao Sidnei pela excelente escolha na aventura e pelo translado Joinville - Curitiba. E quero agradecer ao Maneca e Cassiba, companheiros de aventura. Quem quiser ver mais sobre essa aventura é só visitar Natividade Aventuras Joinville. E para ver o caminho e saber onde fica é só baixar no GPS.

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domingo, 30 de junho de 2013

30/06/2013 - Rodovia do Arroz (SC-413)

Bem, faz uma semana que a minha bike ficou pronta e o máximo que eu tinha feito era ter pedalado 30 km para testar. Fiquei ansioso para chegar esse final de semana para fazer um pedal um pouco mais longo. No sábado coloquei o despertador para ás 5:00 hs, acordei e fui ver o tempo pela janela. Contra a luz do poste era possível ver a chuva fina que caía empurrada por um vento moderado, voltei para debaixo da coberta com a esperança do tempo melhorar durante o dia. Mais tarde o Maneca ligou marcando um pedal para a parte da tarde, mas adivinha o que aconteceu? Choveu. Pô, uma coisa é pegar chuva no caminho, outra é sair de casa com a roupa molhada. No domingo fiz tudo de novo, despertador para ás 5:00 hs - neca, quem sabe ás 7:00 hs - uhm uhm, depois do almoço - não. Que saco. Então tomei uma Atitude, vou sair de casa com chuva ou sem, pronto. Ás 16:30 hs estava com os apetrechos e a bike preparada, quando abri a porta fiquei "surpreso" com a chuva que caía. Que se dane, eu já estava pronto e tinha tomado a minha decisão. Parti sem rumo e na chuva. Queria fazer um pedal não muito longo e que fosse no asfalto, foi ai que resolvi dar a volta na rodovia do arroz ir até a BR-280 e voltar pela BR-101. Bora. Não fiz muitas fotos pois o tempo molhado atrapalhava o manuseio com a câmera. O primeiro registro foi no viaduto da BR-101 com a SC-413.


Não estava muito tarde, era para ser dia, mas com todas essas nuvens o céu estava bem escuro. Ao chegar no bairro Vila Nova a chuva parou. Aproveitei para fazer um registro em frente ao meu futuro lar.


Segui pela rodovia do arroz, tinha muita água parada no acostamento que rapidinho molhou minha meia e daí meu pé ficou ensopado. Parei para mais uma foto, agora do entardecer, sem direito a sol.


Durante o caminho, alguns carros que vinham em sentido contrário davam buzinadas e acenavam. Não reconheci quem era, depois reconheci a van do Vittorio. Era o pessoal que estavam voltando do Pedal da Mari.


Continuei minha pedalada, cheguei em Guaramirim e segui pela BR-280 sentido Araquari. Nesse momento comecei a sentir cansaço e falta de força, eu não estava mais acostumado, a velocidade que vinha com média de 25 km/h caiu para 20 km/h. Uma coisa que preciso fazer é comprar um farol descente. Esse que eu uso não dá para enxergar nada, quase caí ao passar por cima de um recape de pneu de caminhão que não consegui ver antes. Cheguei na BR-101 e parei no Posto Maiochi para fazer um lanchinho.


Voltando pela BR-101, quase sem luz, mais um susto. Ao passar por um trecho que tem muitas árvores perto do acostamento, não vi um cipó pendurado e me acertou bem no nariz, sorte que a viseira do capacete defendeu um pouco. Na curva do arroz, decidi sair da BR-101 e entrar no eixo de acesso sul, voltando por dentro da cidade. Pelo menos tem luz. Ao passar em frente á bares e lanchonetes eu escutava gritos de gol. Era por isso que tinha pouco movimento na rua, tinha jogo do Brasil. Na avenida Beira Rio passei por outra situação que tive que ter reflexo rápido. Eu vinha embalado pela ciclovia, quando uma capivara sai das margens do Rio Cachoeira e atravessa na frente da bike, desviei e parei para olhar para trás que bicho era aquele, para a minha surpresa a capivara também parou e ficou me olhando meio assustada. Pude chegar bem perto para fazer uma foto.


A chuva ameaçava voltar a qualquer momento, mas agora não tinha problema, eu já estava molhado e perto de casa. Cheguei em casa, encostei a bike e sentei para tomar o resto de Gatorade que estava na garrafinha.


Gostei muito desse pedal e da bike também, não senti mais as dores que a outra bike me dava, só um pouco de caimbras na panturrilha. Agora é só pedalar e ir fazendo os ajustes necessários. Falando em ajustes, tenho que ajustar também meus treinos, pois percebi que estou muito fora de forma.


Próxima semana tem mais aventura. Abraço.

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domingo, 9 de junho de 2013

09/06/2013 - 3º Marathon Márcio May Pedra Branca

Antes de contar essa história em detalhes, segue um compacto de menos de 5 minutos de como foi esse desafio. Peço a ajuda de vocês para indicarem esse vídeo e compartilharem o máximo. Obrigado.
Depois de 50 dias sem pedalar, resolvi enfrentar esse desafio que conheci no ano passado e agora está no meu calendário anual de pedaladas. Fiz minha inscrição em abril, para aproveitar o valor reduzido, com a esperança de ter a minha bike pronta até o dia da prova. Durante esse período sem bike aproveitei para participar de vários treinos e corridas de 10 K. O dia da prova se aproximava e nada da minha bike ficar pronta, ainda faltavam peças. Então perguntei ao Maneca se ele teria alguma bike lá encostada para pelo menos eu ter o prazer de completar o percurso. Ele disse que tinha sim e eu poderia usar nada mais nada menos que "a melhor bike do Brasil". No sábado eu e minha esposa saímos em direção à Palhoça, chegando lá fizemos o check-in no hotel e fomos buscar o kit atleta no modelo de cidade sustentável Pedra Branca. Ao chegar lá, fiquei um pouco desapontado em saber que a linda camisa de ciclismo que fazia parte do kit só tinha no tamanho M e P. Tudo bem, não é isso que vai desabonar a organização, afinal eu queria mesmo era participar da prova. No domingo acordamos cedo e podemos observar o nascer do sol na Pedra Branca.


Uma hora e meia antes da largada eu já estava pronto e fiquei dando umas voltas para observar a estrutura e visitar os patrocinadores do evento.



O pessoal da Shimano estava dando um suporte neutro para quem precisasse de ajustes antes da prova e durante a prova.


Enquanto eu passeava, vi o Márcio falando ao celular e conversando com algumas pessoas á sua volta. Provavelmente acertando os últimos detalhes para que tudo saísse perfeito. Mesmo assim ele teve tempo para uma foto.


O tempo passou rápido e os competidores se aqueciam nas avenidas próximas. Eu peguei a bike e fui dar umas pedaladas com ela, na verdade tive pouco tempo para fazer isso antes. Depois parei um pouco e fiquei olhando toda aquela gente, a estrutura montada, o narrador falando algumas frases, aquela música de fundo. Começou a me dar um frio na barriga e uma tremedeira rápida pelo corpo. Quem participa de competições sabe o que eu estou falando.


Não demorou muito e o pessoal já começou o alinhamento meia hora antes da largada. Para não ficar muito atrás eu fiz o mesmo.


Durante meia hora fiquei ali, parado, pensativo e ansioso. Ouvindo as últimas instruções.


As 9:00 hs foi dada a largada e a turma saiu em disparada, porém a largada é neutralizada até a saída do bairro. Eu estava bem atrás do pessoal da elite, acompanhando de perto. Quando as motos saíram da frente foi "pernas para que te quero". Antes da temida subida, tem um sobe e desce de lajotas, foi numa descida dessas que senti a corrente cair. Tentei  girar para fazer a danada voltar pro lugar dela mas não teve jeito, ela trancou entre o pedivela e o quadro e tive que parar a bike. Me abaixei e tentei puxá-la com uma das mãos e nada. Tive que sair da bike e apoiar o meu peito sobre o tubo superior e puxar a corrente com as duas mãos, agora ela saiu. Parti para uma corrida de recuperação enquanto a ambulância me empurrava.

Foto: MTB Marathon Márcio May Pedra Branca

Quem já pedalou aqui, conhece muito bem esse morrinho, não desse ângulo é claro. É uma subida muito longa e íngreme, porém é apenas a primeira. No segundo morro comecei a sentir mais dificuldades para vencer a subida. O que estava acontecendo? Resolvi forçar um pouco mais sem saber bem o motivo. Na continuidade da subida veio a resposta, com a vibração da estrada de chão e o meu peso o selim ia abaixando aos poucos sem eu perceber. Quando percebi estava quase dando joelhadas no meu queixo. Tive que parar e ajustar o selim. Depois veio a descida, que beleza, pra baixo todo santo ajuda. No final da descida equipes de apoio agitavam bandeiras e apitavam avisando sobre o perigo da "curva da ponte". Mesmo assim teve vários acidentes, mas nenhum grave.

Foto: Eduardo Schaucoski

Continuei minha corrida de recuperação, eu já avistava o próximo "alvo". O terreno no momento era plano e eu não estava achando um ponto certo para ultrapassa-lo. Começou a descida e eu grudei nele. Começamos a pegar velocidade e quando percebi já passava dos 50 km, ele freou a bike e eu também, porém a roda traseira travava com facilidade fazendo a bike rabear na pista, não deu outra, perdi o controle e fui em direção ao matagal e voei por cima da bike. A turma passava e eu ainda no meio do mato ouvia: "cadê o cara?". Levantei, peguei meu óculos, ajeitei o capacete e fui procurar a bomba. Por sorte nada aconteceu com a bike nem comigo, só alguns arranhões e um olho roxo. Montei na bike e os 15 minutos seguintes foram de passeio no bosque até eu me recuperar do susto.

Foto: MTB Marathon Márcio May Pedra Branca

Depois veio mais uma subida e nessa não teve jeito, desci da bike e empurrei enquanto arrumava novamente o selim.

Foto: MTB Marathon Márcio May Pedra Branca

Novamente uma descida e no final dela um trecho de asfalto. Foi quando presenciei mais um tombo de um ciclista que estava na minha frente. Ele se desequilibrou no trecho de terra e caiu no asfalto. Doeu só de olhar. No trecho de asfalto a descida convidava para uma velocidade maior enquanto os braços descansavam um pouco.

Foto: MTB Marathon Márcio May Pedra Branca

Quando terminou o asfalto já passava da metade da prova e o retorno foi feito pela estrada de chão que tinha o que? Subida. Eu não aguentava mais, estava exausto, forcei muito no começo e agora veio o reflexo dessa atitude. O sol fritava a minha cabeça e o copo d'água que eu pegava no apoio ia pra cabeça. O restante da corrida foi mais tranquila. Os morros não terminavam e eu pedalava devagar, empurrava e ás vezes parava para ajustar o selim. Foi a segunda vez que cogitei pegar carona (a primeira foi no desafio da Graciosa). Depois de 3 horas consegui completar o percurso de 52 km, com muitas dores e muito feliz pela 51ª colocação na categoria.



E assim foi mais um desafio e quero deixar o meu agradecimento ao meu patrocinador Apiários Sol do Oriente, à minha esposa, e ao Maneca que me emprestou a bike e assim pude participar de mais uma edição desse incrível desafio que não dá para perder. Em 2014 tem mais. Abraço.



Confira minha pedalada no Garmin:

Confira minha pedalada no Strava: