domingo, 4 de fevereiro de 2018

03/02/2018 - 1ª Etapa do Campeonato Catarinense de Corrida de Aventura

Durante algumas pedaladas pela região do Vila Nova, conhecemos o Cleomar que participa há alguns anos de corridas de aventura.

Corridas de aventura são desafios que consistem em: trekking, remar, demonstrar técnicas de rapel e pedalar. Tudo isso sem o uso de GPS e celular. O material usado para navegação é um mapa fornecido pela organização e bússola. A maior parte do tempo a gente passa no meio do mato mesmo, transpondo morros e rios.

No mês passado fui convidado pelo Everton para montarmos um quarteto de corridas de aventura. Eu resolvi aceitar o desafio sem mesmo saber o que realmente era isso. A nossa equipe denominada Malaguetas é formada pelo Cleomar, Everton, Cristina e eu. Nas semanas que antecediam a prova trocamos bastante mensagens e fizemos uma reunião para acertar alguns pontos. Assusta um pouco você vê o cronograma da organização marcando a largada para as 14hs de sábado e previsão de chegada das primeiras equipes às 4hs de domingo.


Depois de muitas noites sem dormir chegou o dia. Eu e o Cleomar chegamos na concentração às 9:00 hs e começamos a preparar as bikes para vistoria. Logo depois chegaram o Everton e a Cristina. A organização já começou a distribuir o material necessário para a nossa aventura. Todas as informações como PC´s, áreas de transição, rotas proibidas e etc são passadas pela organização e anotadas nos mapas pelos próprios participantes. Isso há apenas algumas horas antes da largada.


Almoçamos rápido e começamos os preparativos para ir até o local da largada. O sol estava forte, não se via nuvens no céu e descobrimos que na largada teríamos que levar além das mochilas, o colete salva vidas e as sapatilhas de bike.

Para a nossa sorte a esposa do Cleomar apareceu e nos deu uma carona até o Morro do Careca em Balneário Camboriú, local da largada.



É obrigatório o uso de capacete durante todo o percurso da prova, em qualquer modalidade.


Dada a largada todas as equipes saíram correndo morro abaixo em direção à praia.





Corremos pela areia fofa da praia desviando de turistas, banhistas e crianças. Não demorou muito para entrar areia e água salgada nos tênis.


Passamos pelos decks de madeira para ter acesso à outra praia e continuamos a corrida pela areia e água.


Os veranistas nos olhavam assustados, muitos queriam saber o que a gente estava fazendo, outros batiam palmas e gritavam palavras de apoio. Chegamos nos ducks (barcos para duas pessoas) depois de 4 km de corrida, empurramos eles para a água e remamos pelo mar até o canal do rio Camboriú.


Nesse momento adquiri os dois primeiros hematomas dessa prova. Não sei se o duck estava muito cheio ou se esse modelo era mais estreito, mas eu não cabia na embarcação e fiquei com duas manchas roxas nos quadris.


Nossa remada não rendeu muito, mas foi satisfatória. Chegando na marina era hora de um dos integrantes demonstrar técnicas de rapel. O Cleomar foi eleito para essa tarefa por livre e espontânea pressão rsss.


Para nós que ficamos nas embarcações era momento de hidratação e suplementação.


Feito isso tinha mais 8km de remo rio acima. Nesse momento a gente já estava bem cansado. Saímos do rio para pegar as bikes.


Mas a organização já havia nos informados da "pegadinha". Apenas duas das bikes da equipe estaria na área de transição, ou seja, seria um bike run.


Enquanto dois da equipe corriam, os outros dois pedalavam, mas nas descidas de morros a gente aproveitava para ganhar um pouco de tempo e recuperar algumas posições.







Depois de 9km de bike run, chegamos na outra área de transição. Deixamos as bike para pegá-las mais tarde. Para isso era necessário fazer um trekking até a mata de Itapema.


Começamos a subida ás 17:50 hs, ultrapassamos uma equipe nessa subidinha.
Amo muito tudo isso
Já dentro do mato começamos a procurar a trilha correta, entramos em vários caminhos mas que não batia com o mapa. Alguns caminhos tivemos que refazer mais de uma vez.


Nosso objetivo era achar um prisma e perfurar o nosso mapa como prova que passamos pelo local. Nos batemos um pouco, mas achamos. Depois disso conseguimos caminhar mais rápido nas trilhas.


A noite caiu, os pernilongos começaram a ficar com fome. Fui ligar a minha lanterna e a maldita não funcionou. Acho que molhou a bateria com água salgada e já era. E a lanterna reserva não coloquei na mochila. Andei alguns quilômetros com a ajuda da luz da lanterna da Cristina e do Everton.


Subimos um morro até 500 metros de altitude, na descida nos perdemos e traçamos um novo plano: chegar na estrada e retornar para achar o PC.


Encontramos uma equipe perdida, já tinham refeito um trajeto de subida umas três vezes. Conversamos e resolvemos decifrar o mapa juntos. Chegado no local onde eles estavam com dúvidas achamos a trilha certa e durante um longo caminho desbravamos a mata numa equipe de 8 pessoas.



Peguei uma lanterna emprestada do Everton, mas a bateria também não durou muito tempo.


Encontramos mais um prisma e mais uma perfuração para o nosso mapa. Agora seguimos o rio até uma fazenda.


Atravessando a fazenda a lua aparece para iluminar o nosso caminho.


Abrimos uma porteira e ouvimos um barulho no solo, como um pequeno tremor. - Não se preocupem, são vacas! - um deles falou. Na verdade eram búfalos, e estavam nos encarando. Acho que deveria ter uns 12 e quando passamos por eles, vieram correndo atrás de nós. Quando a gente apontava a lanterna na direção deles eles paravam, mas era só virar as costas que lá vinham eles novamente.


Escapamos dos búfalos e pequenas cobrinhas passeavam pela noite clara. Depois de 25km de trekking e caminhada, encontramos as outras duas bikes no PC em uma residência. Era 1:45hs da manhã e aproveitei para lavar as bolhas que estouraram em baixo dos pés para refrescar um pouco. Calcei novamente a meia molhada e o tênis sujo. Nessa hora eu não sentia mais dor, nem cansaço no corpo, eu só pensava em terminar a prova.


Partimos para mais 9km de bike run.


Esse era o clima ás 2:05 hs


Tentamos ganhar tempo como dava, mas não adiantou muito. Demoramos um pouco no remo e depois no trekking. Estávamos exaustos e optamos por pegar o corte no próximo PC. Ainda tinha muitas tarefas pela frente, mas conhecemos os nossos limites e optamos por terminar a prova mesmo sabendo que perderíamos pontos, mas era o mais sensato a se fazer no momento.



Depois que cada um ficou com a sua bike, o bagulho rendeu, vencemos os últimos 14km de bike e partimos para a chegada no Campus da Univali em Balneário Camboriú. Fiquei tão empolgado que não tirei mais fotos. Para fechar nossa aventura, começou a chover. Chegamos ás 3:50 hs, acabados, mas com a sensação de superação.


Essa é uma prova que exige muito preparo físico e mental. Não se apavorar com os erros e dificuldades também ajuda. Quero agradecer ao Cleomar, Everton e Cristina pelo convite, pela oportunidade e pela parceria nessa prova. Foi uma experiência incrível. Que venha a segunda etapa.

sábado, 13 de janeiro de 2018

13/01/2018 - Morro Santo Anjo - Massaranduba - SC

Durante as pedaladas que fiz nas férias, o Flavio já me antecipou alguns objetivos que ele tinha para esse ano. Alguns deles considerados "ciladas". Fiquei curioso para saber o que o menino estava preparando e eis que vem um convite para esse final de semana, destino: Morro Santo Anjo. Engraçado que eu nunca tinha ouvido falar nesse morro, apesar de ser perto em relação à outros tantos morros que já desafiei. O dito cujo fica em Massaranduba, cidade do interior, de acesso fácil por estradas de chão ou pelo asfalto. Outros aventureiros também foram convidados para o desafio: Ernandes, Fabiano, Rodrigo e Cassiba (esse usou técnicas Cassiba e acabou não comparecendo). No sábado, nos encontramos ás 6:00 hs no pórtico da Expoville para começar essa aventura.


Primeiro pela BR-101 onde presenciamos o sol querendo nascer no horizonte.



Saímos do asfalto e passamos pela região do Poço Grande onde o sol, as plantações e as nuvens criaram um cenário que renderam muitas fotos.


Ponte sobre o Rio Piraí e divisa dos municípios Joinville / Guaramirim








Por enquanto a temperatura estava agradável, próxima dos 20º C, mas a gente já esperava que o caldeirão iria ferver mais tarde. Inclusive a previsão anunciava chuva e trovoadas a partir das 13:30 hs, então a gente já sabia o horário para estar em casa. Atravessamos a BR-280 e seguimos sentido Guamiranga.



Para encurtar o caminho era necessário passar pela ponte pênsil. O Ernandes perguntou se tinha outra opção. Claro, é só atravessar pela balsa, mas isso aumentaria o nosso percurso em uns 15 km. Eu achava que o Ernandes estava com muita vontade de pedalar, pois ele insistiu nesse negócio de atravessar a balsa. Mas a maioria venceu e atravessamos a ponte, depois descobri porque o Ernandes não queria vir por aqui. As imagens abaixo explicam:



Outro que atravessou a ponte com todo o cuidado foi o Fabiano, infelizmente não consegui registrar. Enquanto a gente esperava os dois atravessarem a ponte deu tempo para um lanchinho rápido kkk.


Encontramos um grupo de pedal no outro lado da ponte que disseram que o tal do Santo Anjo é pedreira e muito difícil. Achei um pouco de exagero, conheço muitos morros e ciclista tem mania de ser exagerado. Continuamos nosso passeio pensando no que ouvimos.




Um pouco de asfalto não faz mal a ninguém, mas logo a locomotiva foi desmantelada na Linha Telegráfica. Até agora não sei se isso é uma estrada, região ou qualquer outra coisa.


Fizemos uma parada rápida em um mercado para repor a Coca-Cola e doar um pouco de sangue aos borrachudos. A gente pensava que a parte difícil era só subir o morro. Sabe de nada inocente, ao chegar em um lamaçal, pedimos informação sobre um acesso alternativo, mas disseram que estava igual a esse, então o jeito foi encarar o brejo.


Não demorou muito para as rodas trancarem no quadro e as marchas pararem de funcionar.


Algo parecido com isso eu só passei quando fui para o Campos do Quiriri, aquilo sim foi uma cilada.



Depois do rali foi hora de achar algum graveto ou madeira para tirar o excesso de lama da bike.



Palmas para quem teve essa excelente ideia e o dobro de palmas para quem aceitou esse passeio no bosque. Depois do sufoco demos muitas risadas.



Mas o objetivo não estava concluído, era preciso subir o tal morro. De longe já avistamos o danado e para chegar na estrada que leva ao morro é preciso subir a rodovia também.




Chegamos no pé do Morro Santo Anjo, conversamos um pouco, comemos alguma coisa e tiramos fotos. O Rodrigo já estava muito cansado e resolveu se poupar um pouco, deixando para subir o morro em uma outra oportunidade.



A estrada já começa bem íngreme e cheia de erosão, logo no começo já escorreguei, tive que sair da bike e subir o resto do topezinho empurrando a magrela.



Ás vezes a estrada passa a impressão que o pior já passou, mas se engana quem acha que está fácil, de Santo e de Anjo esse morro não tem nada.



Toda a  estrada é rodeada de árvores e no caminho é possível ter acesso à algumas cachoeiras.


Depois de um bom trecho de muitas pedras e galhos no chão, começou um trecho com calçamento. Achei que seria mais fácil assim, mas fui enganado.

A cara já diz tudo: "Amo muito tudo isso".
Não me lembro de ter subido um morro tão íngreme e escorregadio, o Morro Azul em Timbó talvez, mas acho que a parte íngreme é mais curta do que esse. Eu procurava encaixar as travas da sapatilha entre os vãos das lajotas para ter tração nos pés. E assim foi por um bom tempo, empurrando a bike e cuidando para não chegar lá em cima com o joelho ralado.

Força Flavio.
Cheguei no topo e encontrei outros ciclistas que já estavam rindo, eu ainda não tinha tempo para isso, tentava puxar o ar que parecia não entrar nos meus pulmões.


Enquanto o pessoal ia chegando, eu já estava fascinado com o visual. O dia estava perfeito e do alto do morro é possível ter uma visão de quase 360º.








Ernandes chegando.



Fabiano não quer mais sujar a sapatilha.







Depois de muitas fotos fomos descansar um pouco na sombra. Pedi um Big Mac de mortadela com fritas e uma torre de chopp bem gelado para acompanhar, olhei nos bolsos e só achei a primeira opção.


Ficamos tão empolgados com o local que esquecemos do Rodrigo. O Flavio mandou uma mensagem pra ele e logo começamos a descida.


Aproveitamos para encher nossas garrafinhas em uma das cachoeiras que tem na beira da estrada.





Encontramos o Rodrigo e levantamos poeira da estrada no nosso retorno. O cronograma estava apertado e a temperatura já beirava seus 30º C.


Passamos por Putanga, Guamiranga e logo já estávamos na BR-280. Nos despedimos do Fabiano que seguiu sozinho enquanto a gente seguia para a próxima parada no Posto Brüderthal na rodovia do arroz. É como já falei em posts anteriores, no retorno a gente só pensa em chegar em casa o mais rápido e menos sofrido possível, até esqueço das fotos. Depois de um bom descanso no posto é hora de enfrentar os 40º C da rodovia do arroz e uns 20 km até em casa.


O bafo quente que vinha do asfalto incomodou mas não nos intimidou. No Vila Nova me despedi desses aventureiros, cheguei em casa ás 13:10 hs com 122 km rodados e antes da chuva, conforme previsto.

Quero agradecer ao Flavio pelo convite e pela oportunidade de conhecer esse lugar incrível e aos companheiros de pedal: Ernandes, Fabiano e Rodrigo que tornaram essa trip mais divertida. Foi um dia de conhecimento, sofrimento, superação e muitas risadas. Muito obrigado e até a próxima.

Confira minha pedalada no Garmin:

Confira minha pedalada no Strava: