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domingo, 29 de novembro de 2015

29/11/2015 - 9º Desafio Márcio May

Mais um ano vai chegando ao fim e novamente estou em Rio do Sul para participar dessa prova clássica que reúne ciclistas de todo o Brasil e até do exterior. É a minha quarta participação e novamente me inscrevi na categoria de mountain bike 60K. O Pelinha, Fabinho e Flavio também se inscreveram e como aconteceu no ano passado, fizemos aquela carinha de gato de botas para ficar na casa da Dona Tereza, mãe do Pelinha. Dias antes da viagem surgiram algumas mudanças pois a esposa do Fabiano não poderia ir, então "convidei" a minha esposa para que ficasse em casa também. Assim eu, Fabinho e Flavio iríamos em um carro só. No sábado fiquei encarregado de coletar os cães sarnentos em seus devidos lares já com a capivara (VW Quantum) em ritmo de competição com os vidros adesivados. Duas bikes foram dentro e uma no rack.



Fizemos uma viagem muito cansativa devido a um congestionamento em Apiúna mas deu tudo certo. Assim que chegamos em Rio do Sul já fomos até o local do evento retirar nossos kits.



Encontramos os colegas e conhecidos do mundo ciclístico. Conversamos um pouco, trocamos algumas ideias e depois fomos fazer compras para o café da tarde, a janta e o café da manhã do dia seguinte. Depois do primeiro café o Fabinho quis mostrar que era um menino prendado e já foi tomando conta da cozinha.


Logo depois foi a vez do Pelinha e do Flavio matarem a saudade de tanto tempo longe e se encarregaram de fazer uma bela macarronada para a janta.


Depois de bem abastecidos tomamos um banho e fomos dormir pois no dia seguinte não teria muito tempo para isso.


Acordamos ás 6:00 hs e começamos a fazer os preparativos com alimentação e os últimos preparos com as bikes. Saímos ás 7:30 hs rumo ao local de largada que ficava há alguns quilômetros da casa onde estávamos. O céu estava nublado e o clima meio abafado, não parecia que ia chover tão cedo.


No local de largada alguns ciclistas já estavam aquecendo enquanto outros ficavam conversando como a gente.


Encontramos o Ernandes que trabalhou comigo na falida Busscar Ônibus e agora também aderiu aos prazeres do ciclismo.


Minutos antes da largada o corpo começa a tremer e eu sinto aquele friozinho na barriga. Para ajudar o locutor começa a falar dos desafios vencidos, superação e etc. E a música de fundo se não é aquela do Ayrton Senna é aquela tema do filme Carruagens de Fogo. Daí é pra acabar com o atleta já na largada.

Foto: TrilhasBR

Depois disso vem a contagem regressiva, largamos sob uma forte chuva e com atenção redobrada devido ao aviso de vários buracos na pista. Como sempre a largada é neutralizada nos primeiros quilômetros, mas aqui neutralizada é 42 km/h.

Foto: TrilhasBR

Eu estava bem posicionado atrás do primeiro pelotão, mas na serra esticou tudo e não consegui acompanhar o ritmo dos ponteiros, mesmo assim foi minha melhor subida comparando o tempo com os outros anos. Lá em cima o sol apareceu, fiz o retorno e na descida uma serração e a pista muito molhada me aguardavam. Passei pelo Fabinho, Ernandes e Flavio que ainda estavam subindo, dei uma olhada rápida para o ciclocomputador e estava marcando 80 km/h, que adrenalina.

Foto: TrilhasBR

Desci sozinho e continuei assim por mais uns 10 km, até ser alcançado por outro atleta desgarrado e juntos fomos aumentando o ritmo e conseguimos alcançar outro grupo com três atletas. O grupo foi ficando maior e na parte dos pavês escapei do pelotão e consegui me infiltrar no pelotão que estava mais a frente.

Foto: TrilhasBR

A tensão aumentava e havia muitos buracos na pista que eu desviava ou muitas vezes saltava por cima. Nosso pelotão tinha entre 10 e 12 competidores, no último quilômetro consegui me posicionar bem a frente e fui na roda de um dos ponteiros do pelote até dar o bote e tentar uma ultrapassagem no sprint.

Foto: TrilhasBR

Por meia roda não consegui fazer a ultrapassagem, mas foi muito emocionante, me senti no Tour de France.

Foto: Desafio Márcio May de Ciclismo de Estrada e Mountain Bike

Chegada do pelotão que eu estava

Peguei minha medalha de participação e uma fatia de melancia, não conseguia nem ficar em pé. O Pelinha, que tinha feito 45 km, veio me cumprimentar e entreguei a bike para ele segurar enquanto eu sentei no meio fio.


Alguns minutos depois chegaram o Ernandes e o Fabinho.


Ficamos esperando o Flavio e ele não aparecia, começamos a ficar preocupados, mas depois de muito tempo ele apareceu são e salvo.


Fiquei muito feliz com o meu desempenho e a minha colocação. Em relação ao ano anterior conquistei bastante posições. Fiquei em 11º na categoria e 53º na classificação geral, contra 17º e 78º do ano anterior. Depois de conversarmos um pouco e descansarmos bastante é hora de voltar para a casa.



Dei um trato na bike e depois fui para o chuveiro, saía areia até do ouvido. Almoçamos frango com maionese e pão e depois colocamos as coisas novamente na querida capivara e pegamos a estrada. Quero agradecer novamente a Dona Tereza e Pelinha que nos ofereceram um lar por dois dias. A gente fica tão a vontade que até parece que estamos em casa. Ao Fabinho e Flavio pela companhia e parceria nesse evento, ao meu "Paitrocinador" que ainda ajuda esse marmanjo nessas loucuras, a minha esposa que não pode vir mas ficou em casa na torcida e a todos que acompanham minhas aventuras mesmo de longe. Ano que vem quero estar aqui de novo. Abraços.

Confira minha pedalada no Garmin:

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sábado, 14 de novembro de 2015

14/11/2015 - Porta do Mar

Depois de muitos dias de chuva e tempo nublado em Joinville, finalmente hoje amanheceu com sol. Acordei cedo e saí ás 7:30 hs de casa sem destino, queria apenas aproveitar o dia e pedalar forte. Então resolvi desfrutar do sol de frente á Baia da Babitonga e de quebra faria uma visita para a minha tia e minha prima que moram no Espinheiros. Passei pelo centro da cidade e estava muito bom para pedalar pois tinha pouquíssimo movimento nesse horário. Fiz uma paradinha rápida no mercado municipal.


Segui pelo bairro Boa Vista até a rua de acesso ao bairro Espinheiros e Barco Príncipe, o vento estava a favor e consegui dar uma boa puxada nesse retão. Chegando no local tirei algumas fotos e descansei um pouco ali pelo calçadão mesmo, pois a minha tia e a prima não estavam em casa.








Saí dali pensando onde eu iria agora, pois tinham se passado somente uma hora desde que saí de casa. Enfrentei um ventinho contra para sair do Espinheiros e já que eu estava no litoral pensei em ir para o outro extremo, a serra. Isso é uma das coisas que encanta Joinville, aproximadamente 30 km separam o litoral da serra. Mas eu não estava afim de subir a serra de novo essa semana, então resolvi fazer um lanche na ponte da Estrada do Pico sobre o rio Cubatão.


Seguindo sentido da serra o vento contra aumentou e dificultava o bom rendimento do pedal, mas ao mesmo tempo amenizava o calor. No portal da Estrada do Pico enquanto eu tirava fotos um marimbondo se aproveitou da minha distração e me deu ferroadas nas costas. Ah maldito, ele não saía e tive que começar a tirar a camisa ás pressas e saí correndo dali. Depois da correria enfrentei um trecho de paralelepípedos e depois estrada de chão até a ponte.

Um pouquinho de cyclocross.

Já na ponte uma brisa suave e o barulho forte das águas faziam meu corpo relaxar enquanto eu desfrutava um lanche sem pressa.




Montei na magrela novamente e decidi subir a estrada Mildau para finalizar meu passeio. Fiz um bate e volta bem rápido até o pé do morro do Tromba, pois ainda queria passar na loja de bike para comprar câmaras e remendos já que hoje saí sem câmaras reserva.


Assim foi um dia de sol bem aproveitado, consegui manter uma média boa apesar de pedalar boa parte do tempo na cidade. Vamos ver se daqui por diante o tempo colabora um pouco. Abraços e até a próxima.

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domingo, 1 de novembro de 2015

01/11/2015 - Campos do Quiriri

Há alguns meses eu e mais alguns amigos bikers recebemos o convite do Cassiba para fazer um pedal até Campos do Quiriri, precisamente no alto da famosa fazenda Schneider. A organização ficou por conta do seu amigo Rodrigo Cemin com o apoio da Power Bikes. No convite havia três opções de transporte e preços: van, van + caminhão ou ir pedalando. Na verdade eu já havia feito a rota para esse pedal, mas nunca tive coragem de ir pedalando, mas se o Cassiba disse que ia pedalando então eu também vou. Eram 34 inscritos, dentre esses, 6 iriam pedalando: eu, Cassiba, Maneca, Fabiano, Flavio e Jean. Na noite anterior o Cassiba deu o seu tradicional "aborta" dizendo que não tinha preparo para tanto e optou ir de van. Vou dizer o quê? Na data marcada acordei ás 3:15 hs para dar início á uma aventura inesquecível. O dia estava chuvoso e frio. Combinamos de nos encontrar ás 4:20 hs na Expoville, com saída prevista para 4:30 hs.


O Jean estava atrasado e começamos a entrar em contato mas sem retorno. Ás 4:40 hs decidimos sair com a esperança de ele nos encontrar no caminho. Antes do distrito industrial o pneu do Fabiano furou e tivemos que fazer a troca de câmara.


O Maneca estava desconfiado que seu pneu também estava furado e tentou fingir dando uma calibrada.


Mas não adiantou, em Pirabeiraba tivemos que fazer mais uma parada para trocar mais uma câmara.


Seguimos em direção á serra na companhia de muita chuva e serração. Fizemos uma parada na ponte para reagrupar.




Subimos em um ritmo bom, mas confortável, nada de se matar nessas horas. Fizemos mais uma parada no mirante da serra para reagrupar, comer uma barrinha e encher as garrafinhas de água.



Continuamos a subida e o dia começou a clarear. A chuva continuava e agora também a presença de um vento forte. Chegamos na entrada da estrada de Laranjeiras e encontramos o pessoal se preparando para a aventura. Acho que ninguém tinha ideia do que nos aguardava.



Antes da saída o Cagãossiba teve que dar uma aliviada. Claro, não existe passeio sem o Cassiba ir se esconder no meio do mato.


Depois de tudo resolvido demos início a segunda parte do nosso pedal.



De novo?


Começaram a aparecer muitos morros, não dava tempo de subir um, já vinha uma descida e tinha que subir tudo de novo. Paramos em uma igreja para reagrupar e fazer a primeira parada com direito á esfirra e frutas.




Seguimos o passeio um pouco a frente do grupo maior e sempre seguindo as placas conforme orientação.




Chegamos no alto de uma colina onde o vento soprava mais forte. Eu e o Maneca continuamos em um ritmo mais moderado enquanto os outros foram mais á frente.








Quase 40 km de estrada de chão e a gente só subia e descia morro e nada de chegar nessa fazenda.



Chegamos em mais um trevo e o pessoal estava abrigado na varanda de um barzinho que estava fechado. Ficamos esperando o pessoal e comemos mais algumas frutas. O Fabiano colocou seu saco de lixo de emergência e resolveu dar meia volta. Já era quase 13:00 hs e ainda faltavam uns 10 km para o objetivo.


Logo o pessoal chegou para agrupar e alguns já estavam no carro de apoio. Sinceramente achei que haveriam mais desistências, pois o percurso é difícil para quem não está acostumado. Mas me surpreendi com alguns bikers, inclusive meninas, que sempre estavam no grupo da frente.



Nesse momento apareceu o Luiz Fernando que estava passeando de carro pela região mas com a bike junto. Então ele estacionou o carro e resolveu pedalar esses últimos quilômetros com a gente.






Chegamos no pé do morro e agora vai começar a baixaria. De cara já dá para perceber que é bem íngreme e com essa chuva toda não vai ser nada fácil.



Começamos a subida pedalando mas não demorou muito para empurrarmos as bikes. Tinha uma lama nojenta que grudava no pneu e fazia trancar tudo.




A cada metro que a gente subia o vento ficava mais forte e a visibilidade cada vez menor.




Eu e o Luiz empurramos as bikes até onde foi possível. Parecia que ainda faltava superar um último morro, mas o vento era tão forte que resolvemos ficar por ali mesmo. Achamos que não valeria tanto esforço. Abaixo um vídeo do ponto máximo que chegamos:


Começamos a descer e logo encontramos um pessoal subindo sem as bikes. Passamos a situação e todos concordaram em voltar e deixar essa visita á Fazenda Schneider para uma próxima oportunidade.


A descida foi bem loka e escorregadia. Lá em baixo o pessoal já fez um acampamento na beira do rio com direito á pão e linguicinha.



Joguei a bike dentro do rio para tirar o excesso de barro e comi um pão com linguiça. Enchi as garrafas de água e comecei a me despedir do pessoal. Já passava das 16:00 hs. O Luiz nos acompanhou até onde estava seu carro, nos ofereceu carona até a rodovia mas a gente estava muito imundo. Agradecemos e seguimos nosso rumo pedalando.


Conseguimos chegar na igreja para o nosso lanche antes do anoitecer. Na verdade nossa intenção era já estar na rodovia, mas nem sempre as coisas acontecem como planejado.


Ainda na estrada de chão, o pessoal passou por nós com o caminhão e a van para buscar os ciclistas lá no acampamento, pois ninguém previa um pedal tão puxado e demorado. Chegamos na rodovia e imprimimos um ritmo frenético. A chuva só aumentava e nesse trecho do alto da serra não tem acostamento. Nesse momento além da força física o ciclista precisa estar preparado psicologicamente. A vontade de desistir, ligar para alguém ou mesmo chamar um táxi começa a martelar a cabeça a todo instante. Continuamos pedalando forte, de cabeça baixa, percebemos que o Flavio começou a ficar para trás e esperamos. Ele estava passando mal, não conseguia equilibrar a bike e não falava direito. Para ajudar o farol dele apagou. Então começamos a descida da serra com o Maneca na frente, o Flávio e eu. Por pouco o Flavio não caiu em uma das curvas. Chegamos no posto de gasolina na entrada do Quiriri onde ele conseguiu falar com a família para fazer o resgate. Eu e o Maneca continuamos num ritmo mais forte como nunca, a vontade de chegar em casa era grande. Na BR-101, próximo ao posto Bavária, o pessoal passou por nós buzinando e fazendo festa, já eram 23:00 hs. Na entrada do Vila Nova me despedi do Maneca e os meus últimos 5 km pareciam que foram 50 km.


Cheguei em casa exausto e a esposa com cara de poucos amigos. Colocar a bike nesse estado dentro de um apartamento não é para qualquer um, mas eu consegui rsss. Mas ela me ajudou e finalmente eu estava feliz por ter conforto novamente. Agora já posso rir de tudo isso.

Quero agradecer ao Cassiba pelo convite e pela companhia e ao Maneca, Flavio e Fabiano pela parceria no pedal. Agradecimento também para o Rodrigo que organizou toda essa diversão e a todos os ciclistas que estavam participando.

Da próxima vez vou optar pela van. Abraços.

Confira minha pedalada no Garmin:

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